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Flamengo passa a vender Manto masculino com Betano aplicado e encerra opção sem patrocinador; entenda

Flamengo passa a vender Manto masculino com Betano aplicado e encerra opção sem patrocinador

Foto: Divulgação / Adidas

O Flamengo mudou a forma de comercializar seus principais uniformes masculinos de torcedor e, a partir do lançamento do terceiro Manto de 2026, passou a adotar a aplicação da Betano como padrão nas camisas de jogo vendidas ao público. A decisão, prevista no contrato de patrocínio master e viabilizada depois de uma adequação logística da adidas, significa que os próximos modelos rubro-negro, branco e alternativo chegarão às lojas com a marca da casa de apostas estampada. Para quem preferir uma versão adulta masculina sem o patrocinador principal, a alternativa ficará restrita, em princípio, ao modelo Authentic, que custa R$ 799,99.


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A mudança começou a ficar visível no lançamento do Manto 3, apresentado em 31 de julho dentro da linha adidas Originals. A coleção chegou em versões masculina e feminina para torcedores, infantil, cropped e Authentic, com preços entre R$ 399,99 e R$ 799,99. A camisa masculina comum custa R$ 449,99, enquanto a versão que reproduz o padrão utilizado pelos jogadores chega aos R$ 799,99.

Até então, o torcedor estava acostumado a encontrar alternativas com e sem o patrocinador aplicado. Esse cenário muda nos próximos lançamentos masculinos.

Aplicação da Betano passa a ser padrão

Segundo apuramos, a informação inicialmente divulgada pelo perfil Ofertas pra Torcida se confirma: toda camisa masculina de jogo destinada ao torcedor será comercializada, daqui em diante, com o patrocínio master da Betano aplicado de fábrica como padrão.

Isso inclui os três uniformes principais: o tradicional rubro-negro, o branco e o terceiro Manto. A mudança não significa que todas as peças da coleção terão a marca. Os modelos feminino, infantil, cropped e Authentic continuam seguindo outra configuração comercial, com versões sem o patrocinador.

O ponto que chama atenção é justamente a camisa masculina de torcedor, produto que normalmente concentra boa parte da procura nos lançamentos. O consumidor que desembolsar R$ 449,99 não terá mais, nos novos modelos, a possibilidade de escolher aquela mesma peça sem a marca master.

Para conseguir uma camisa adulta masculina “limpa”, a opção disponível passa a ser a Authentic. Só que o salto de preço é significativo: R$ 350 de diferença, saindo de R$ 449,99 para R$ 799,99. O próprio lançamento do terceiro uniforme evidenciou essa distância entre as duas categorias.

Por que isso não acontecia antes?

A explicação apurada não está numa mudança repentina de filosofia comercial, mas numa questão operacional. A adidas não conseguia garantir anteriormente o prazo necessário para entregar todas as camisas de torcedor já com o patrocinador aplicado.

A partir do terceiro uniforme de 2026, lançado no fim de julho, a fornecedora passou a ter condições logísticas para cumprir essa exigência. Com a estrutura ajustada, começou a valer de maneira integral aquilo que já estava previsto no acordo comercial entre Flamengo e Betano.

O material da campanha do novo Manto já sinalizava essa mudança. As peças masculinas utilizadas na divulgação apareceram com a marca da patrocinadora, dentro de uma coleção que busca combinar futebol e lifestyle sob o conceito “Segue o Mengo”. O uniforme vermelho claro, com grafismos inspirados no escudo do remo e o Trefoil da adidas Originals, foi lançado como uma das principais apostas comerciais do clube para o segundo semestre.

Contrato cria incentivo financeiro sobre a camisa patrocinada

Existe ainda um componente econômico que ajuda a compreender a decisão. O contrato entre Flamengo e Betano possui uma parte variável diretamente relacionada ao varejo.

Depois que forem atingidas 400 mil camisas vendidas com a marca da Betano, o clube passa a receber R$ 10 adicionais por unidade comercializada, dentro das condições estabelecidas no acordo. Dessa forma, quanto maior o volume de mantos patrocinados vendidos acima desse patamar, maior poderá ser a remuneração recebida pelo Flamengo.

A lógica transforma o uniforme também em ferramenta de desempenho comercial da parceria. Não basta a Betano pagar pela exposição nos jogadores durante as partidas; a marca pretende ocupar também as camisas utilizadas pelos próprios torcedores.

Sob a perspectiva do patrocinador, a vantagem é evidente. Cada Manto vendido torna-se mais uma peça de exposição da empresa nas arquibancadas, ruas, viagens e redes sociais. Para o Flamengo, além do contrato fixo milionário, surge a possibilidade de ampliar receitas variáveis por meio do próprio consumo de sua torcida.

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O problema está na falta de escolha

O debate, entretanto, não precisa ser sobre a existência de patrocinadores nas camisas. O futebol brasileiro convive há décadas com marcas comerciais estampadas nos uniformes, e essas receitas ajudam a sustentar estruturas cada vez mais caras.

A questão que mais vem gerando debate é: o torcedor deveria ser obrigado a levar o patrocinador junto quando compra uma camisa oficial que já custa R$ 449,99?

Existe uma questão estética também. Uma parcela dos colecionadores prefere uniformes sem publicidade justamente porque valoriza o desenho original, o escudo, as cores e os elementos criados pela fornecedora. Até agora, esse consumidor conseguia adquirir a peça regular sem a aplicação do patrocinador e pagar separadamente caso quisesse reproduzir o uniforme utilizado em campo.

A nova política inverte essa lógica: o patrocínio deixa de ser opcional na principal camisa masculina disponível ao público.

Segundo o perfil Ofertas Pra Torcida, essa decisão já teria provocado impacto nas vendas. Esse efeito ainda precisará ser acompanhado com dados mais amplos para que seja possível dimensionar sua extensão, mas a reação é plausível diante de uma alteração que mexe diretamente na experiência de compra.

O contrato com a Betano é histórico e amplia significativamente as receitas comerciais do Flamengo. Isso não impede que determinadas contrapartidas sejam discutidas. Pelo contrário: quanto mais valiosa se torna a relação entre clube, patrocinador e torcida, maior precisa ser o cuidado para que o consumidor não seja tratado apenas como extensão publicitária do negócio.

A camisa é um ativo comercial, mas também é um dos principais símbolos de identidade de um clube de futebol. Ao transformar a Betano em elemento obrigatório do Manto masculino de torcedor, o Flamengo amplia o retorno de seu maior patrocínio, mas abre uma discussão legítima sobre liberdade de escolha. O torcedor continuará decidindo se compra ou não; o que deixou de poder decidir, nos novos lançamentos, é como quer vestir a camisa que comprou.

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