Flamengo protocola no IPHAN pedido para reconhecer a Nação Rubro-Negra como patrimônio cultural imaterial do Brasil

O Flamengo formalizou nos últimos dias um movimento institucional que busca transformar a força simbólica de sua torcida em reconhecimento oficial. Em visita à sede social da Gávea, no Rio de Janeiro, representantes do clube entregaram ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) um pedido para que a chamada Nação Rubro-Negra seja registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A iniciativa, articulada como parte de um projeto mais amplo que mira também organismos internacionais, mobiliza dirigentes, ídolos históricos e torcedores em torno de uma narrativa que ultrapassa o campo esportivo.
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
O documento foi apresentado pelo maior ídolo da história rubro-negra, Zico, ao presidente do instituto, Leandro Grass, e ao diretor de Patrimônio Imaterial, Deyvesson Gusmão. A agenda incluiu uma visita ao acervo histórico do clube, reforçando o caráter simbólico do ato. Mais do que uma formalidade administrativa, o gesto foi apresentado como etapa concreta de uma campanha iniciada ainda no ano passado, quando o Flamengo lançou uma petição pública em busca de apoio popular para levar o reconhecimento da Nação à Organização das Nações Unidas.
Reconhecimento cultural e futebol como patrimônio ⚽
A proposta abriu um debate relevante sobre o lugar do futebol na política de preservação cultural brasileira. Segundo Grass, o pedido representa uma possibilidade inovadora dentro das diretrizes atuais do patrimônio imaterial, tradicionalmente voltadas a manifestações como festas populares, saberes tradicionais e práticas artísticas. O dirigente destacou que o fenômeno de massas representado pelo Flamengo pode estimular novas leituras sobre identidade coletiva e pertencimento no país.
Na narrativa construída pelo clube, a torcida rubro-negra é tratada como uma comunidade simbólica que ultrapassa fronteiras geográficas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zico sintetizou o conceito ao afirmar que se trata de “uma Nação sem fronteiras”, estimada em cerca de 45 milhões de pessoas. A ideia de língua comum, paixão compartilhada e reconhecimento mútuo entre torcedores espalhados pelo mundo tornou-se o eixo central do discurso institucional.
LEIA MAIS:
- Fabrício Chicca rebate ataques de PVC e intensifica debate técnico sobre gramados sintéticos no futebol brasileiro
- Livro “Flamengo: o fenômeno nacional” detalha história cultural e expansão da torcida rubro-negra
- QUANDO ARLINDO CRUZ CRIOU O “WE ARE THE WORLD” COM FLAMENGUISTAS PARA HOMENAGEAR ZICO COM UM SAMBA
Linha do tempo da mobilização
O movimento ganhou força pública em 2025, quando a diretoria lançou a petição digital em busca de apoio popular. Nos meses seguintes, campanhas em jogos, redes sociais e eventos oficiais passaram a estimular a adesão. O protocolo junto ao IPHAN marca, agora, uma etapa mais formal do processo, indicando que o clube pretende construir base jurídica e cultural sólida antes de avançar no plano internacional.
Até o momento, o abaixo-assinado reúne cerca de 600 mil assinaturas. A meta estabelecida pela gestão é alcançar 1 milhão de apoios, número considerado estratégico para demonstrar capilaridade social e legitimidade do pleito. A mobilização ocorre em paralelo a outras ações institucionais que reforçam a marca Flamengo como fenômeno cultural, não apenas esportivo.
Impacto simbólico e projeção internacional
Caso o reconhecimento seja aprovado em âmbito nacional, o clube acredita que terá argumento adicional para sustentar a candidatura da Nação como primeira comunidade simbólico-cultural vinculada ao futebol a receber chancela internacional. Especialistas apontam que o processo pode enfrentar desafios técnicos, já que a noção de patrimônio imaterial costuma exigir delimitações claras de práticas e tradições, algo mais difuso no universo das torcidas.
Ainda assim, o debate já produz efeitos políticos e comunicacionais. Ao transformar sua torcida em pauta institucional, o Flamengo amplia a discussão sobre o papel social dos clubes e o potencial do futebol como elemento estruturante de identidade coletiva no Brasil contemporâneo.
Os torcedores podem registrar seu apoio na página peticao.flamengo.com.br
Flamengo e ONU: ação histórica ganha destaque na imprensa mundial e bomba nas redes sociais
Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:
—
+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.
Descubra mais sobre Ser Flamengo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


