Flamengo tenta evitar prejuízo coletivo na Libra e expõe silêncio de clubes e da imprensa

Flamengo tenta evitar prejuízo coletivo na Libra e expõe silêncio de clubes e da imprensa

O Flamengo formalizou, nos últimos dias, uma cobrança direta à cúpula da Libra ao identificar uma falha estrutural no contrato de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro que ameaça reduzir a receita de todos os clubes do grupo a partir de 2026. A iniciativa partiu do clube carioca em meio à proximidade do início da competição e à inércia da entidade responsável pela negociação do acordo. O que está em jogo não é um ganho individual, mas a preservação de valores já contratados para todo o bloco.


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O contrato firmado pela Libra com a Globo estabelece um valor bruto de R$ 1,170 bilhão, sujeito a descontos fiscais, dividido entre os clubes da Série A. O problema está nas cláusulas de ajuste. O texto prevê redução automática de 11% caso um clube do grupo seja rebaixado, diminuindo o número de participantes, mas ignora o cenário oposto. Em 2026, com o acesso do Remo, integrante da própria Libra, o grupo passa a ter dez clubes na elite. O bolo permanece o mesmo. A divisão aumenta. A perda é inevitável.

De acordo com projeções internas da própria entidade, o clube que menos recebeu em 2025 foi o Red Bull Bragantino, com cerca de R$ 95 milhões. Caso o Remo fique com uma fatia próxima ao piso, em torno de R$ 90 milhões, o impacto médio para os demais gira em torno de R$ 10 milhões por temporada, variando conforme audiência e desempenho esportivo. Não se trata de uma disputa judicial do Flamengo por fatias extras, mas de uma redução objetiva que atinge a todos.

Diante da falta de resposta, o Flamengo enviou ofícios ao diretor executivo da Libra, Silvio Matos, e posteriormente aos diretores institucionais da entidade, Júlio Casares, presidente do São Paulo, e André Rocha, do Red Bull Bragantino. A exigência é simples: renegociar o contrato para algo em torno de R$ 1,3 bilhão, com correção inflacionária, de modo a manter as cotas no mesmo patamar de 2025. É uma cobrança que preserva o coletivo, não uma tentativa de ampliação de receitas próprias.

Inicialmente, a direção executiva da Libra informou que negociava um reajuste com a Globo. Depois, admitiu dificuldades. Até agora, a emissora não sinalizou qualquer disposição em rever um acordo já assinado. A Libra, por sua vez, não apresentou solução nem respondeu oficialmente às cobranças. O silêncio se estendeu também aos clubes que serão diretamente afetados pelo prejuízo. Nenhuma manifestação pública, nenhum movimento conjunto, nenhuma pressão institucional.

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O cenário ganha contornos ainda mais delicados quando se observa quem ocupa a linha de frente da entidade. Júlio Casares, diretor institucional da Libra até o início de fevereiro, enfrenta um processo de impeachment no São Paulo e investigações sobre movimentações financeiras. Ainda assim, permanece como uma das figuras centrais da liga responsável por negociar contratos bilionários. Procurado, não respondeu.

Como destacou o jornalista Rodrigo Mattos, a falha contratual é conhecida desde 2024, quando o acordo foi submetido ao conselho deliberativo do Flamengo. Na ocasião, houve alertas claros sobre o risco de um modelo que atrela a receita de um clube ao desempenho de terceiros e que dilui valores sem ampliar o montante total. O contrato foi aprovado com esse desenho e assinado meses depois, já com alterações que não retornaram ao conselho para nova votação.

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O que chama atenção, porém, é o contraste de tratamento. Quando o Flamengo questionou os critérios de audiência e a divisão dos 30% variáveis, foi retratado como individualista. Agora, ao liderar uma cobrança que evita prejuízo coletivo, encontra silêncio. Não há indignação, não há editoriais, não há pressão pública. Parte da imprensa, que antes se mostrou vocal, simplesmente se cala diante de um problema que pode reduzir a receita de todos os clubes da Série A.

O paradoxo é evidente. O Flamengo, frequentemente acusado de agir apenas em causa própria, hoje sustenta praticamente sozinho uma pauta que beneficia todo o grupo da Libra. Não se discute ganhar mais, mas não perder. Ainda assim, clubes e imprensa optam pela omissão. O Brasileirão começa no dia 28, o erro contratual segue sem solução e a liga, criada sob o discurso da modernização, expõe mais uma vez suas fragilidades de governança e liderança.

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