Erica Lopes da Silva, a Gazela Negra do Flamengo, nos recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro, para uma entrevista que começou como um reencontro com a memória do esporte rubro-negro e terminou como uma homenagem carregada de afeto, reconhecimento e denúncia. Nascida em Porto Alegre, em 24 de julho de 1936, a ex-velocista está às vésperas de completar 90 anos e carrega no corpo as marcas de uma vida dedicada às pistas, ao Flamengo e ao Brasil. No papo conduzido pelo Ser Flamengo, ela relembrou a chegada ao clube no fim dos anos 1960, os títulos, as viagens, as amizades, o orgulho de ser rubro-negra e a dor de hoje precisar pedir sensibilidade para permanecer ao lado da filha, Erica Simone, designada para uma missão oficial nos Estados Unidos.
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A conversa teve tom de homenagem, mas não se limitou à celebração. Ao longo de mais de meia hora, Erica revisitou a própria história com lucidez, humor e emoção. Falou da juventude no Sul, da ida para o Rio de Janeiro, da relação com dirigentes históricos, do apelido que a imortalizou, das vitórias no Campeonato Sul-Americano, da imagem no muro da Gávea, das músicas que eternizaram seu nome e do carinho recebido por torcedores que, mesmo sem terem visto suas arrancadas nas pistas, reconhecem a força simbólica da Gazela Negra. A entrevista também abriu espaço para o drama atual envolvendo a filha, a Escola Superior de Guerra e a tentativa de reconhecimento da ex-atleta como dependente para fins de passaporte oficial e visto adequado.
A importância de Erica Lopes não cabe em nota de rodapé. Especialista nos 100m e 200m rasos, ela foi recordista sul-americana em 1963 nos 100m, nos 200m e no revezamento 4x100m, além de medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1963. Pelo Flamengo, tornou-se a maior velocista da história do clube, conquistou títulos nacionais, consolidou seu nome no atletismo continental e entrou para a Calçada da Fama rubro-negra. Quando fala de si, porém, não se coloca como monumento. Erica prefere contar histórias, brincar com lembranças, corrigir detalhes, agradecer o carinho e repetir, com a simplicidade de quem sabe o que viveu: “Eu amo o Flamengo”.
A chegada ao Flamengo e o início de uma relação para a vida inteira
A entrevista conduzida por Tulio Rodrigues e Gilson Lima começa pela origem da história rubro-negra de Erica Lopes. Ela veio de Porto Alegre já como atleta, com tempos que, segundo contou, mereciam convocação para a Seleção Brasileira. O problema, em suas palavras, era a desconfiança de que no Rio Grande do Sul pudesse existir uma corredora tão forte nas provas de velocidade. A jovem que se destacava longe do eixo principal do esporte nacional decidiu insistir, deixou para trás dores familiares e veio ao Rio de Janeiro em busca de espaço.
A primeira aproximação, curiosamente, foi com o Vasco. Erica contou que chegou a vir ao Rio a convite do clube de São Januário, mas a história tomou outro caminho quando o Flamengo entrou em cena. O então presidente rubro-negro, Oswaldo Gudole Aranha Filho, também gaúcho, soube dos feitos da atleta e mandou representantes procurá-la. Ela lembra que estranhou a presença de um carro parado diante da casa onde estava hospedada, teve receio no primeiro momento e só depois aceitou conversar quando os enviados se identificaram como pessoas ligadas ao Flamengo.
O encontro mudou sua trajetória. Ao chegar ao escritório do presidente, Erica ouviu de Oswaldo, com sotaque gaúcho que a conquistou, que ela não iria para o Vasco. “Ela vai para o Flamengo”, recordou a ex-atleta, divertida ao lembrar da cena. A partir dali, a relação começou a se formar não apenas pela proposta esportiva, mas pelo acolhimento. Erica dizia que queria morar em casa de família ou pensionato, fazia exigências, desconfiava do Rio e precisava provar que aquela corredora vinda do Sul era mesmo capaz de transformar promessa em vitória.
A prova veio rápido. Em uma competição no Maracanã, Erica correu diante de dirigentes do Flamengo e, segundo ela mesma descreveu, “deu um capote” nas adversárias. A reação foi imediata. O dirigente que havia colocado dúvidas desceu da arquibancada, abraçou a atleta e cravou que ela já era do Flamengo. A lembrança atravessa décadas com frescor, porque naquele momento Erica não apenas assinava uma transferência. Ela entrava em uma comunidade esportiva que, segundo repetiu durante a entrevista, sempre a recebeu com carinho.
A Gazela Negra e o auge nas pistas
O apelido que acompanharia Erica Lopes pelo resto da vida surgiu em meio à comparação com uma estrela internacional. Após os Jogos de Roma, a imprensa brasileira passou a fazer referência à velocista estadunidense Wilma Rudolph, conhecida como Gazela Negra, e o jornal O Globo estampou que o Brasil também tinha a sua. Erica, que ganhava as provas que disputava, virou, primeiramente, a Gazela Negra brasileira. Depois, a Gazela Negra do Flamengo, uma alcunha que deixou de ser apenas elogio jornalístico e se transformou em identidade pública.
No Flamengo, ela atingiu o auge. A ex-velocista já havia conquistado medalhas de ouro nos 100m e nos 200m pelo Grêmio no Troféu Brasil de 1958. Com a camisa rubro-negra, repetiu o feito no Troféu Brasil de 1962 e voltou a vencer as duas distâncias em 1965. O ponto mais alto veio no Campeonato Sul-Americano de 1963, em Cali, na Colômbia, quando venceu os 100m e os 200m rasos, bateu recordes e consolidou sua condição de nome continental do atletismo brasileiro.
Na entrevista, Erica reconstruiu com riqueza de detalhes o Sul-Americano. Contou que conhecia treinadores argentinos e uruguaios desde os tempos em Porto Alegre, pois havia convivência esportiva forte entre atletas do Sul do Brasil e dos países vizinhos. Um treinador argentino teria dito que não havia como ela bater o recorde sul-americano, já que uma adversária havia melhorado a marca pouco tempo antes. A resposta de Erica, carregada de orgulho rubro-negro, veio na pista e também na memória: “Você não viu eu correr agora. Agora eu sou a Erica do Flamengo”.
A frase sintetiza o peso que o clube teve na carreira dela. Erica não tratava o Flamengo apenas como escudo no uniforme, mas como ambiente que lhe deu confiança, estrutura emocional e pertencimento. Em Cali, segundo seu relato, ela bateu recorde na semifinal e melhorou ainda mais na final. A imagem celebrizada, que aparece nas homenagens rubro-negras, registra justamente o instante em que ela aguardava o resultado no painel e reagia à confirmação da marca. “O estádio inteiro vibrou”, contou, ainda tomada pela lembrança de uma das maiores emoções de sua vida esportiva.
A vitória no dia do enterro da irmã
Entre as histórias mais fortes da entrevista está a vitória dedicada à irmã Zoraide. Erica contou que, durante uma competição em São Paulo, recebeu a notícia da morte da irmã, mas não pôde deixar de competir porque o Flamengo dependia de seu resultado para conquistar o Troféu Brasil. A corrida dos 200m aconteceu no mesmo momento do enterro, e ela entrou na pista carregando uma dor que não era visível para o público, mas pesava mais do que qualquer adversária.
Mesmo assim, competiu e venceu. Depois, dedicou aquela vitória à irmã e ao Flamengo. A lembrança revela um aspecto duro do esporte de alto rendimento, especialmente numa época em que as condições de apoio eram muito diferentes das atuais. Erica não romantiza a dor, mas também não a esconde. Ela recorda o acolhimento recebido, a presença de pessoas ligadas ao clube e o carinho que a ajudou a atravessar um momento pessoal devastador sem abandonar a responsabilidade esportiva que assumira.
Esse episódio ajuda a entender por que o Flamengo não é, para Erica Lopes, uma relação superficial. O clube aparece em sua memória junto de conquistas, perdas, amizades, casamento, trabalho e reconhecimento. Ela fala do Flamengo como quem fala de uma casa emocional, não apenas de uma instituição esportiva. Por isso, quando recebeu a placa e a camisa personalizada do Ser Flamengo, a reação foi de encantamento verdadeiro, quase de surpresa, como se a homenagem tocasse um lugar antigo e ainda vivo.
Do muro da Gávea ao samba: uma memória que atravessa gerações
As homenagens também ocuparam parte importante da conversa. Erica falou da emoção ao descobrir que estava retratada no muro da Gávea, em projeto que eterniza personagens marcantes da história rubro-negra. A filha a levou ao local sem revelar previamente a surpresa. Quando viu sua imagem ali, próxima a Ary Barroso, a Gazela Negra entendeu a dimensão simbólica daquele gesto. Ela mesma brincou com a coincidência, lembrando que Ary teria sido contrário inicialmente à sua ida para o Flamengo, mas depois se tornou amigo e admirador.
A presença de Erica nas homenagens do clube e da torcida mostra que a memória rubro-negra não se limita ao futebol. O Flamengo que ela representa é o clube poliesportivo, o Flamengo das quadras, piscinas, pistas e ginásios, aquele que formou atletas em diferentes modalidades e construiu uma identidade muito maior do que os 90 minutos de uma partida. Quando Erica diz que não é apenas Flamengo futebol, mas Flamengo clube, ela toca num ponto essencial da história rubro-negra.
A Gazela Negra também lembrou homenagens no carnaval, incluindo a presença no desfile da Fla Manguaça em 2025. Disse que estava em Paris quando soube que seria homenageada e voltou ao Brasil dois dias antes do carnaval para desfilar. A cena, narrada com brilho nos olhos, mostra como seu nome permanece vivo em espaços populares de memória. A atleta que corria diante de arquibancadas hoje é celebrada em sambas, muros, camisas, placas e encontros de torcedores que reconhecem nela uma parte nobre da história do clube.
Há ainda a lembrança do samba da Estácio de Sá de 1995 que a cita. Erica contou o episódio de um motorista de táxi que ouvia uma música do Flamengo quando ela entrou no carro. Ao dizer que era a Gazela Negra mencionada na canção, viu o homem parar no meio da avenida, emocionado, para tirar uma fotografia e mostrar aos filhos. A história tem sabor de crônica carioca, mas revela algo mais profundo: Erica virou personagem de uma memória coletiva que circula pelas ruas, pelos sambas e pela afetividade rubro-negra.
A homenagem do Ser Flamengo
A entrevista teve como ponto alto a homenagem preparada pelo Ser Flamengo. Depois de ouvir Erica recontar sua trajetória, recebeu uma placa em agradecimento por tudo que ela representa para o Flamengo e para a Nação. A imagem escolhida remete ao momento histórico em Cali, quando a atleta reagiu ao recorde sul-americano. Para quem acompanhava a conversa, a homenagem não parecia um protocolo de programa, mas um gesto de reparação afetiva diante de uma personagem que merece ser lembrada em vida.
A camisa personalizada também emocionou Erica. Ao recebê-la, ela se encantou com a peça, agradeceu e brincou sobre colocar a camisa na mala. O detalhe abre uma ponte com sua primeira camisa do Flamengo, guardada com carinho junto da camisa do Grêmio, clube pelo qual também fez história. Erica contou que preserva essas camisas “no coração” e “na cabeça”, expressão simples que dá conta de uma relação construída por símbolos, memórias e pertencimento.
Quando perguntada sobre o que o Flamengo representa para ela, a resposta veio sem cálculo. “Eu adoro o Flamengo”, disse, antes de contar que para crianças na rua quando as vê com a camisa rubro-negra, conversa com torcedores, emociona desconhecidos e ainda vibra com o clube. A fala mais forte veio logo depois, quando afirmou que vive o fim da vida esperando ser cuidada pela filha e seguir vibrando com o Flamengo. Não houve teatralidade. Houve a sinceridade de uma mulher que sabe exatamente quais afetos sustentam seus dias.
A homenagem também serviu para reforçar o contraste entre reconhecimento popular e dificuldade institucional. Enquanto torcedores, jornalistas, artistas, sambistas e rubro-negros reverenciam Erica como patrimônio vivo do clube, ela enfrenta um impasse administrativo para permanecer ao lado da filha em uma missão oficial nos Estados Unidos. A entrevista, por isso, ganha duas camadas: celebra uma vida extraordinária e denuncia uma situação que ameaça o cuidado de uma idosa prestes a completar 90 anos.
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O drama atual: a filha, a missão nos Estados Unidos e a insegurança do visto
A partir de determinado momento, a conversa deixou a memória esportiva e entrou no drama atual da família. Erica Simone Almeida Resende, filha de Erica Lopes, é servidora da Escola Superior de Guerra e foi designada para uma missão oficial nos Estados Unidos. O problema, segundo relatado na entrevista, está na resistência da instituição em reconhecer Erica Lopes como dependente da filha, condição que permitiria a emissão de passaporte oficial e a solicitação do visto A-2, adequado à permanência durante a missão.
Erica Lopes resumiu sua dor com palavras duras. “Eu estou muito triste com a atitude do Exército, porque eu defendi o Exército, ganhei Sul-Americano, hasteei a bandeira brasileira. Muitos dos militares não fizeram isso. E agora me negam o visto para permanecer com a minha filha lá, cuidando de mim, porque eu tenho 90 anos e já estou debilitada de locomoção. Não posso ficar sozinha no Rio de Janeiro”, afirmou. A frase uniu passado e presente, medalha e cuidado, orgulho e desamparo.
A ex-atleta também fez um apelo direto. “Eu queria apelar para o ministro que veja isso, porque eu defendi o Brasil, ganhei provas em atletismo levantando o nome do nosso país. Como é que eu não tenho o direito de pedir uma simples permanência ao lado da minha filha, que cuida de mim?”, questionou. A pergunta não tem apenas valor emocional. Ela evidencia a contradição de uma estrutura pública que valoriza símbolos nacionais em cerimônias, mas pode se mostrar insensível quando uma mulher que levantou a bandeira brasileira precisa de uma solução concreta para não ficar desassistida.
Erica Simone explicou que, sem o reconhecimento de dependência, a alternativa seria um visto de turista, com limite de seis meses. A missão pode durar até dois anos, o que deixaria mãe e filha diante de uma insegurança incompatível com a situação de uma idosa que depende de cuidados cotidianos. A filha afirmou ter apresentado quatro documentos, embora a portaria citada por ela exigisse no mínimo dois entre 17 possibilidades. Segundo seu relato, todos foram recusados sob o argumento de que não constituiriam prova idônea e seriam declarações unilaterais sem peso suficiente.
Quatro documentos recusados e uma questão humanitária
A filha detalhou os documentos apresentados: escritura pública de dependência econômica, comprovante de residência comum, inclusão de Erica Lopes em plano de seguro de vida e funerário, além de declaração de associação médica indicando Erica Simone como responsável por decisões de saúde. Mesmo assim, a servidora relatou que a comprovação foi negada e criticou a aparente transposição de critérios de dependência econômica de militares para o caso de uma servidora civil. Para ela, essa leitura não se aplicaria à situação concreta.
Outro ponto abordado foi a renda da mãe. Erica Simone contestou a ideia de que uma aposentadoria afastaria a dependência, pois a existência de algum rendimento não cobre, necessariamente, despesas médicas, alimentação, condomínio, remédios e demais custos de uma pessoa idosa. “O que ela recebe não dá para cobrir tudo. Eu pago exames e procedimentos médicos, remédios, comida, bebida, condomínio, tudo, mas não reconhecem. E eu estou nessa situação muito desconfortável, há quatro meses lutando por isso”, afirmou.
A questão, para a filha, é humanitária. Ela citou o Estatuto do Idoso, a dignidade humana, a necessidade de cuidado cotidiano e a curatela obtida na Justiça como elementos que deveriam pesar na análise. Também afirmou que não haveria impacto financeiro relevante, pois a passagem da mãe seria paga por ela. O pedido, portanto, não aparece na entrevista como busca de vantagem, mas como reconhecimento formal para que uma idosa acompanhe a única pessoa responsável por seu cuidado durante uma missão oficial.
A judicialização do caso tornou o cenário ainda mais delicado. Erica Simone disse que a liminar foi negada, que houve recurso e que o embarque estava próximo. Na entrevista, ela formulou uma crítica contundente ao próprio Estado brasileiro, que exige assistência familiar aos idosos, mas, segundo seu relato, dificulta o cumprimento desse dever ao negar o status de dependência da mãe. A servidora também lembrou que o cuidado com idosos costuma recair sobre mulheres e muitas vezes é tratado como invisível por espaços de decisão ocupados majoritariamente por homens.
A bandeira que ela levantou e o país que precisa olhar para ela
A entrevista de Erica Lopes ao Ser Flamengo não é apenas uma homenagem a uma campeã do passado. É um registro de memória viva, com humor, dor, orgulho, gratidão e cobrança. A Gazela Negra contou histórias de uma época em que o atletismo feminino brasileiro tinha menos estrutura, menos visibilidade e ainda assim produzia personagens capazes de atravessar fronteiras. Ela venceu nos 100m, venceu nos 200m, bateu recordes, correu pelo Flamengo, representou o Brasil, formou equipes, guardou camisas, emocionou torcedores e segue sendo reconhecida por quem entende que clube não é apenas futebol.
Ao mesmo tempo, a conversa expôs a fragilidade de quem envelhece em um país que muitas vezes celebra seus ídolos apenas quando eles cabem em placas, murais e discursos. Erica Lopes não quer transformar sua biografia em privilégio. Ela pede o mínimo: permanecer ao lado da filha que cuida dela enquanto essa filha cumpre uma missão oficial no exterior. Quando repete que levantou a bandeira brasileira, não está cobrando reverência vazia, mas lembrando que a memória nacional também se mede pela forma como trata aqueles que carregaram seu nome.
A homenagem com placa e camisa personalizada foi bonita porque aconteceu diante da própria homenageada, com tempo para escutá-la, deixá-la falar e permitir que sua história respirasse. O jornalismo esportivo, quando olha para personagens como Erica Lopes, cumpre um papel que vai além da cobertura do resultado. Ele ajuda a impedir que a memória seja engolida pela pressa do presente e mostra que a história do Flamengo também foi construída por mulheres negras, atletas de pista, treinadoras, campeãs silenciosas e figuras que nem sempre ocuparam o centro das transmissões.
No fim, a Gazela Negra saiu da entrevista agradecendo, emocionada e ainda preocupada. Disse que talvez conseguisse dormir melhor naquela noite, depois da homenagem, embora continuasse vivendo a angústia do impasse envolvendo a filha. A imagem é forte demais para ser ignorada: uma das maiores atletas da história do Flamengo, prestes a completar 90 anos, segurando uma placa de reconhecimento enquanto ainda precisa pedir ao país que a enxergue. O Flamengo já sabe quem ela é. A torcida também sabe. Falta que as autoridades compreendam que o tempo de uma idosa não combina com a lentidão fria da burocracia.
VEJA COMO FOI A EXPOSIÇÃO ‘MULHERES RUBRO-NEGRAS’ NO MUSEU DO FLAMENGO
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Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio) e Gilson Lima (GilsonFlaLima)
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