Gazela Negra do Flamengo, Erica Lopes pede socorro aos 90 anos para acompanhar filha em missão nos Estados Unidos

Erica Lopes da Silva, a Gazela Negra do Flamengo, uma das maiores velocistas da história rubro-negra e do atletismo brasileiro, vive aos 90 anos uma disputa que mistura burocracia, memória esportiva, dever de cuidado e reconhecimento institucional. A ex-atleta, que recebeu nos em sua casa no Rio de Janeiro, tenta ser reconhecida como dependente da filha, Erica Simone, servidora da Escola Superior de Guerra designada para uma missão oficial nos Estados Unidos que pode durar até dois anos. Sem esse reconhecimento, a permanência de Erica Lopes ao lado da filha ficaria limitada às regras de um visto de turista, criando uma insegurança justamente no momento em que a ex-corredora afirma já não ter condições de viver sozinha.
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A questão central não é uma viagem comum, nem um pedido de privilégio. Erica Simone foi designada para representar uma instituição brasileira no exterior, enquanto sua mãe, idosa, debilitada na locomoção e morando com ela, depende de cuidados cotidianos. O reconhecimento administrativo como dependente permitiria a emissão de passaporte oficial e a solicitação do visto A-2, categoria concedida a representantes de governos estrangeiros em missão oficial e, em determinadas hipóteses, a familiares reconhecidos pelo governo de origem. Sem esse enquadramento, segundo a família, resta a alternativa frágil de um visto de turista, com permanência limitada a seis meses, incompatível com uma missão que pode se estender por dois anos.
O caso ganha peso simbólico porque não envolve uma personagem qualquer da história esportiva brasileira. Erica Lopes, nascida em Porto Alegre em 24 de julho de 1936, foi especialista nos 100m e 200m rasos, recordista sul-americana em 1963 nos 100m, nos 200m e no revezamento 4x100m, além de medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1963. No Flamengo, onde chegou no fim de 1960, tornou-se a maior velocista da história do clube, conquistou títulos nacionais e sul-americanos, teve seu nome incluído na Calçada da Fama rubro-negra e passou a ser lembrada como a Gazela Negra, apelido que atravessou décadas como marca de elegância, potência e pioneirismo.

A campeã que agora precisa pedir permanência
A fala de Erica Lopes durante a entrevista expõe a ferida do caso com uma clareza que nenhum despacho administrativo consegue suavizar. A ex-atleta não fala como quem reivindica homenagem, indenização ou recompensa tardia. Ela fala como uma mulher de 90 anos que deseja permanecer com a filha responsável por seus cuidados enquanto essa filha cumpre uma missão oficial fora do país. No centro da entrevista está a sensação de abandono por parte de uma estrutura que, no passado, ela diz ter representado com orgulho.
“Eu estou muito triste com a atitude do Exército, porque eu defendi o Exército, ganhei Sul-Americano, hasteei a bandeira brasileira. Muitos dos militares não fizeram isso. E agora me negam o visto para permanecer com a minha filha lá, cuidando de mim, porque eu tenho 90 anos e já estou debilitada de locomoção. Não posso ficar sozinha no Rio de Janeiro”, afirmou Erica Lopes, a Gazela Negra do Flamengo.
A frase contém mais do que indignação. Há nela uma cobrança moral dirigida ao Estado brasileiro, à memória esportiva e à própria lógica de reconhecimento institucional. Erica não está recorrendo apenas ao passado glorioso para sensibilizar autoridades, embora esse passado seja incontornável. Ela está lembrando que seu corpo, hoje fragilizado pelo tempo, foi o mesmo que venceu provas, levantou bandeiras, bateu recordes e ajudou a construir a imagem internacional do esporte nacional em uma época em que o atletismo feminino enfrentava obstáculos ainda mais duros do que os atuais.
O apelo direto ao ministro, feito durante a entrevista, reforça o caráter emergencial da situação. “Eu queria apelar para o ministro. Eu defendi o Brasil, ganhei provas em atletismo levantando o nome do nosso país. Como é que eu não tenho o direito de pedir uma simples permanência ao lado da minha filha, que cuida de mim?”, questionou a ex-velocista. A pergunta é simples, mas embaraça a máquina pública porque recoloca o debate no campo humano, onde a frieza do protocolo precisa conviver com a realidade de uma idosa dependente de cuidados.
Quem é Erica Lopes, a Gazela Negra do Flamengo
Antes de se tornar símbolo de uma batalha administrativa, Erica Lopes já era personagem de uma história que o esporte brasileiro deveria tratar com mais zelo. Ela começou sua trajetória no Sul, teve passagens por Internacional e Grêmio, e chegou ao clube rubro-negro no fim de 1960. No Flamengo, alcançou o auge competitivo e passou a ser reconhecida como uma das maiores atletas da história do clube, especialmente pela força nas provas de velocidade.
Como atleta do Grêmio, venceu os 100m e os 200m rasos no Troféu Brasil de Atletismo de 1958. Já com a camisa do Flamengo, repetiu o feito no Troféu Brasil de 1962 e voltou a conquistar ouro nos 100m e nos 200m em 1965. No Campeonato Sul-Americano de 1963, sagrou-se campeã nas duas provas e consolidou a imagem da corredora brasileira que impressionava não apenas pelos resultados, mas também pela maneira como competia. Um jornal venezuelano a definiu como “a atleta que corre sorrindo”, síntese rara de leveza e domínio técnico em uma modalidade decidida por centésimos.
A Gazela Negra também integrou o grupo medalhista no revezamento 4x100m dos Jogos Pan-Americanos de 1963, quando o Brasil subiu ao pódio em uma competição continental de grande relevância. Sua presença na Calçada da Fama do Flamengo não é ornamento de museu, mas reconhecimento de uma contribuição concreta à história rubro-negra. O clube que costuma celebrar ídolos do futebol também carrega, em sua memória, atletas olímpicos e pan-americanos que deram ao escudo uma dimensão poliesportiva.
É justamente por isso que o caso atual causa desconforto. A atleta que antes representou o país em pistas internacionais agora precisa explicar por que necessita permanecer com a filha. A mulher que correu pelo Brasil, pelo Flamengo e por instituições esportivas nacionais agora se vê diante da exigência de convencer a administração pública de uma dependência que, segundo sua filha, já foi comprovada por documentos e pela própria dinâmica de cuidado cotidiano.

A missão da filha e o impasse do visto
Erica Simone, filha da ex-atleta, é bacharel em Direito pela UFRJ, tem complementação de estudos em Relações Internacionais pela PUC-Rio, é mestre e doutora em Ciência Política pela USP, com ênfase em Relações Internacionais, e atua como professora adjunta da Escola Superior de Guerra. Sua trajetória acadêmica inclui pesquisa em política externa norte-americana, estudos críticos de segurança, análise de discursos, sociologia política internacional e teorias de Relações Internacionais. Ela também é Fulbright Scholar e U.S. State Department Alumna desde 2006.
A missão nos Estados Unidos, portanto, não surge como passeio, favor pessoal ou deslocamento sem vínculo público. Trata-se de uma designação institucional que, pela natureza do trabalho, exige permanência fora do Brasil por período prolongado. O problema aparece quando a ESG, segundo Erica Simone, reluta em reconhecer Erica Lopes como sua dependente para fins de acompanhamento no exterior. Sem esse enquadramento, a mãe não teria acesso ao passaporte oficial e ao visto adequado para acompanhar a filha durante toda a missão.
“A minha mãe, reconhecida como minha dependente, receberia um passaporte oficial e o visto adequado, o A-2, do consulado americano, permitindo que ela permanecesse nos Estados Unidos enquanto durasse a minha missão. Sem esse reconhecimento, o que nos sobra é ela ir com visto de turista, limitado a seis meses. E, depois de seis meses, eu não sei o que acontece”, afirmou Erica Simone.
A diferença entre uma situação e outra é enorme. No primeiro cenário, haveria previsibilidade: mãe e filha poderiam organizar a permanência nos Estados Unidos dentro do período da missão oficial. No segundo, haveria uma espécie de contagem regressiva, com a insegurança de uma idosa que não pode ficar sozinha no Rio de Janeiro e de uma servidora que precisa cumprir uma designação fora do país sem abandonar a responsabilidade familiar que já exerce.
Os documentos recusados e a batalha administrativa
Segundo Erica Simone, a discussão não começou agora. Ela afirma estar há quatro meses tentando resolver a situação e diz ter apresentado documentos para comprovar a dependência econômica da mãe. A servidora cita uma portaria de 2022 que estabeleceria grupos de dependência e meios de prova, com exigência mínima de dois documentos. De acordo com seu relato, foram apresentados quatro: escritura pública de dependência econômica, comprovante de residência comum, inclusão de Erica Lopes em plano de seguro de vida e funerário, além de declaração de associação médica indicando Erica Simone como responsável por decisões de saúde.
O ponto mais sensível é que, ainda segundo a filha, todos os documentos foram recusados. A justificativa apresentada teria sido a de que se tratavam de declarações unilaterais sem peso suficiente para constituir prova idônea. Erica Simone contesta essa leitura e afirma que há uma transposição indevida de critérios ligados à dependência econômica de militares para a situação de uma servidora civil. Para ela, a análise administrativa estaria ignorando a realidade concreta da relação familiar e se prendendo a exigências que não se aplicariam ao caso.
A filha também rebate a ideia de que a aposentadoria da mãe afastaria a dependência. “O que ela recebe não dá para cobrir tudo. Eu pago exames e procedimentos médicos, remédios, comida, bebida, condomínio, tudo, mas não reconhecem. E eu estou nessa situação muito desconfortável, há quatro meses lutando por isso”, afirmou. A fala revela uma dimensão financeira que costuma desaparecer nos processos administrativos, pois a existência de alguma renda não significa autonomia plena, sobretudo quando se fala de uma pessoa de 90 anos, com despesas médicas, limitações físicas e necessidade de acompanhamento diário.
A entrevista aponta ainda que a família precisou judicializar a questão. Erica Simone disse que, até aquele momento, não havia decisão definitiva da Justiça Federal. Segundo ela, os advogados pediram uma liminar, que foi negada, e recorreram. O prazo torna tudo mais grave: a servidora afirmou que teria de embarcar em cerca de 30 dias. A combinação entre missão oficial, urgência, ausência de decisão judicial e recusa administrativa cria um cenário de pressão emocional e institucional sobre uma família que tenta resolver algo que, no plano humano, parece elementar.
A contradição entre o dever de cuidar e a recusa do reconhecimento
O caso de Erica Lopes expõe uma contradição que vai além da ESG e do Exército. O Estado brasileiro impõe à família o dever de cuidado com a pessoa idosa, reconhece a prioridade absoluta da dignidade, da saúde, da convivência familiar e da proteção contra abandono, mas, segundo o relato da filha, dificulta justamente o cumprimento desse dever quando a cuidadora precisa sair do país em missão oficial. A pergunta incômoda é por que a burocracia aceita cobrar responsabilidade familiar, mas hesita em reconhecer as condições práticas para que essa responsabilidade seja exercida.
Erica Simone formulou essa contradição de maneira direta. Ela lembrou que o mesmo Estado que exige assistência aos idosos e preservação do vínculo afetivo é o Estado que, no seu caso, estaria impedindo o exercício desse cuidado ao negar o status de dependência da mãe. A servidora também afirmou ter obtido curatela na Justiça, ponto que reforçaria a necessidade de cuidado no cotidiano.
Há nesse trecho uma camada de gênero que não deve ser ignorada. Erica Simone observou que o cuidado com idosos, filhos e familiares dependentes costuma recair sobre as mulheres, mas permanece invisível nos espaços de decisão. Quando a administração pública trata a questão como mera formalidade documental, corre o risco de apagar a rotina concreta que sustenta milhares de famílias brasileiras, onde filhas, mães, irmãs e esposas administram remédios, consultas, alimentação, moradia, despesas e afeto.
Essa invisibilidade fica mais dura quando se considera o perfil das personagens envolvidas. De um lado, uma professora da Escola Superior de Guerra, pesquisadora com carreira acadêmica consolidada, convocada para uma missão internacional. Do outro, uma atleta histórica do Flamengo e do Brasil, símbolo de uma geração que abriu caminhos no esporte feminino. Entre as duas, uma relação de cuidado que não cabe bem na linguagem fria dos formulários, mas que define a vida real de ambas.
O Flamengo, a memória e a responsabilidade moral
O Flamengo aparece neste caso não como parte formal do processo administrativo, mas como parte incontornável da memória pública de Erica Lopes. A Gazela Negra é um nome da história rubro-negra, não apenas uma ex-atleta que passou pelo clube. Ela venceu pelo Flamengo, representou o atletismo do clube em competições nacionais, ajudou a construir a grandeza poliesportiva da instituição e permanece inscrita em sua Calçada da Fama. A mobilização da torcida, de ex-atletas, conselheiros, dirigentes, parlamentares rubro-negros ou figuras públicas ligadas ao clube não resolveria sozinha o problema jurídico, mas poderia dar visibilidade a uma situação que não deveria tramitar no silêncio.
O Flamengo costuma reverenciar sua história quando ela rende festa, camisa retrô, conteúdo institucional e cerimônia. O verdadeiro teste de memória, porém, aparece quando um personagem dessa história precisa de apoio no presente. Erica Lopes não pede estátua, busto ou placa comemorativa. Ela pede a possibilidade de acompanhar a filha em uma missão oficial, sem o medo de ficar desamparada no Rio de Janeiro ou de entrar nos Estados Unidos sob uma solução precária e temporária.
A fala final da ex-atleta resume o incômodo com força rara: “Eu levantei a bandeira brasileira”. Ela repetiu a lembrança como quem tenta fazer a administração enxergar uma vida inteira que não pode ser reduzida a carimbo, indeferimento e despacho. A frase não deve servir para criar uma hierarquia de idosos dignos de cuidado, como se apenas campeões merecessem atenção. O ponto é outro. Se até uma personagem com a trajetória de Erica Lopes precisa atravessar tamanha resistência para provar o óbvio, o que acontece com os anônimos que enfrentam a mesma máquina sem nome conhecido, sem torcida mobilizada e sem entrevista pública?

Uma linha do tempo do caso
Erica Lopes nasceu em Porto Alegre, em 24 de julho de 1936, e construiu sua carreira nas provas de velocidade, especialmente 100m e 200m rasos. Em 1958, ainda como atleta do Grêmio, venceu as duas provas no Troféu Brasil de Atletismo, resultado que antecipou a trajetória vitoriosa que teria nos anos seguintes. No fim de 1960, chegou ao Flamengo e rapidamente se tornou um dos grandes nomes do atletismo rubro-negro, conquistando títulos estaduais, nacionais e protagonismo continental.
Em 1962, já pelo Flamengo, voltou a vencer os 100m e os 200m no Troféu Brasil. No ano seguinte, viveu um dos momentos mais marcantes da carreira ao conquistar ouro nas duas provas no Campeonato Sul-Americano de 1963, além de integrar o revezamento brasileiro medalhista nos Jogos Pan-Americanos. Em 1965, repetiu o domínio no Troféu Brasil, novamente com ouros nos 100m e nos 200m rasos, consolidando a imagem de maior velocista da história do Flamengo.
Décadas depois, sua filha Erica Simone construiu carreira acadêmica e institucional ligada às Relações Internacionais, à Ciência Política e aos estudos de defesa. Como servidora da Escola Superior de Guerra, foi designada para uma missão especial nos Estados Unidos, com possibilidade de duração de até dois anos. A partir dessa designação, surgiu a necessidade de levar a mãe, que mora com ela e depende de cuidados cotidianos, dentro de um enquadramento compatível com a permanência no exterior pelo período da missão.
Nos últimos quatro meses, segundo Erica Simone, a família tenta obter o reconhecimento de Erica Lopes como dependente. Foram apresentados documentos, houve recusa administrativa e o caso acabou judicializado. Até a entrevista concedida ao Ser Flamengo, a liminar havia sido negada, havia recurso em andamento e a filha relatava prazo de cerca de 30 dias para embarcar. Esse calendário dá ao caso um caráter de urgência, porque a indefinição pode transformar uma missão oficial em drama familiar.
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O que está em jogo
O ponto decisivo não está apenas na letra de uma portaria, na interpretação de uma regra migratória ou na validade de um documento específico. O que está em jogo é a capacidade do poder público de interpretar normas sem perder de vista a realidade que elas deveriam proteger. Quando uma idosa de 90 anos, com limitações de locomoção, mora com a filha e depende dela para despesas e cuidados, a análise administrativa não pode tratar essa relação como abstração incômoda ou exceção inconveniente.
Há, evidentemente, a necessidade de controle. Nenhum órgão público deve reconhecer dependência sem critério, e missões oficiais no exterior precisam obedecer a regras. O problema começa quando o zelo administrativo se transforma em barreira desproporcional, especialmente diante de documentos apresentados, de uma situação familiar descrita com detalhes e de uma missão que, segundo a própria lógica institucional, exige a presença da servidora fora do Brasil. Burocracia existe para organizar a vida pública, não para punir quem tenta cumprir seus deveres familiares.
Também é preciso separar o essencial do acessório. Erica Lopes não está pedindo que o Estado arque com uma aventura particular. A filha afirma que pagaria a passagem da mãe e que não haveria impacto financeiro relevante. O centro do pedido é o reconhecimento formal que permitiria a emissão do passaporte oficial e a solicitação do visto adequado. A diferença entre isso e um visto de turista é a diferença entre planejamento e improviso, entre permanência regular durante a missão e insegurança depois de seis meses.

O caso, portanto, pede solução institucional, transparência e sensibilidade. Se há impedimento legal incontornável, ele precisa ser explicado publicamente com clareza, sem fórmulas genéricas. Se há margem de interpretação, a dignidade da pessoa idosa e o dever de cuidado deveriam pesar na decisão. Se a recusa decorre de medo administrativo, como sugeriu Erica Simone, cabe aos superiores assumirem responsabilidade, porque a omissão também produz consequência.
Erica Lopes correu pelo Brasil em uma época em que mulheres negras no esporte precisavam vencer não apenas adversárias na pista, mas também barreiras sociais, raciais e institucionais. Aos 90 anos, a Gazela Negra já não disputa os 100m nem os 200m, mas enfrenta uma corrida desigual contra o tempo, os carimbos e a indiferença. O país que aplaude suas medalhas não pode fechar os olhos quando ela pede apenas o direito de permanecer ao lado da filha que cuida dela.
VEJA COMO FOI A EXPOSIÇÃO ‘MULHERES RUBRO-NEGRAS’ NO MUSEU DO FLAMENGO
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Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio) e Gilson Lima (GilsonFlaLima)
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