Impacto de R$ 746 milhões com impostos pode levar a cortes profundos nos esportes olímpicos; mídia segue em silêncio

Impacto de R$ 746 milhões com impostos pode levar a cortes profundos nos esportes olímpicos; mídia segue em silêncio
Foto: Julliana Nascimento/CRF

O Flamengo entrou em alerta máximo diante dos impactos da reforma tributária sobre os clubes associativos. O debate ganhou força após a divulgação de um estudo interno que projeta um aumento de até R$ 746 milhões em impostos ao longo dos próximos oito anos. A estimativa, revelada em reportagem de Rodrigo Mattos, expõe um cenário que vai além do futebol profissional e ameaça diretamente o financiamento de esportes olímpicos mantidos pelo clube.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


A diretoria rubro-negra tornou público o problema ao divulgar um documento detalhando os efeitos da nova tributação. A comunicação oficial explicou o funcionamento da mudança fiscal, mas evitou tratar abertamente das consequências práticas. Foi a partir da apuração jornalística que o impacto passou a ser dimensionado com mais clareza: a partir de 2026, o Flamengo passaria a desembolsar cerca de R$ 19 milhões extras por ano, número que pode chegar a R$ 214 milhões em 2033.

O ponto central da discussão está na diferença de alíquotas. Clubes associativos, como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, tendem a ser tributados em 11%, enquanto as SAFs pagariam 6%. A regra alcança inclusive projetos incentivados, como o programa de direcionamento do imposto de renda para modalidades olímpicas. Na prática, recursos que hoje chegam integralmente ao esporte seriam parcialmente absorvidos pela nova carga fiscal.

O Flamengo tem no esporte olímpico uma de suas frentes mais tradicionais. Somente em 2024, o clube investiu cerca de R$ 70 milhões no setor, com arrecadação inferior a R$ 25 milhões. A conta já é deficitária. Com a nova tributação, a tendência é de agravamento. Em pronunciamento recente, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi direto ao explicar o dilema: manter o nível de investimento significaria comprometer o orçamento do futebol, algo que a atual gestão não considera viável.

LIVE COMPLETA:

A projeção interna aponta que, diante do novo cenário, o clube já trabalha com a hipótese de reduzir cerca de R$ 16 milhões em despesas a partir de 2026. Atividades estruturalmente deficitárias entram no radar, e os esportes olímpicos aparecem como uma das áreas mais vulneráveis, apesar do peso histórico e social que carregam.

Enquanto isso, Flamengo e Corinthians têm atuado nos bastidores do Congresso Nacional para tentar derrubar os vetos da reforma tributária que afetam diretamente os clubes sociais. Dirigentes dos dois clubes estiveram em Brasília nos últimos meses em busca de articulação política. Outros grandes clubes associativos, como Palmeiras e São Paulo, não se posicionaram publicamente sobre o tema até o momento.

A crítica da diretoria rubro-negra também mira o Ministério da Fazenda, acusado internamente de não ter avaliado o impacto da reforma sobre o sistema esportivo brasileiro, sobretudo nas modalidades olímpicas. Advogados tributaristas contratados pelo clube confirmaram a tendência de aumento significativo da carga fiscal, inclusive com possíveis efeitos sobre contratos de patrocínio, já que empresas parceiras poderiam rever acordos diante da perda de incentivos tributários.

VEJA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

O debate ganhou contornos mais amplos ao evidenciar um silêncio incômodo de parte da grande mídia esportiva. Com poucas exceções, como Rodrigo Mattos, Mauro Cezar Pereira e Lúcio de Castro, o tema segue fora da pauta diária, apesar do impacto estrutural que pode redefinir o modelo de financiamento do esporte no país.

Em um ano eleitoral, o Flamengo aposta que a pressão pública pode ser decisiva. A estratégia passa por transformar a discussão em pauta coletiva, extrapolando rivalidades clubísticas. A leitura interna é simples: se um clube com a capacidade financeira do Flamengo já projeta dificuldades, o efeito sobre associações menores tende a ser devastador.

Mudança fiscal pode custar R$ 728 milhões ao Flamengo e comprometer esportes olímpicos no Brasil

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:

+ Siga o Blog Ser Flamengo no Twitter, no Instagram, no Facebook e no Youtube.

 

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta