Kompany dá aula em 12 minutos e Filipe Luís responde em segundos: o contraste no caso Vini Jr

Kompany dá aula em 12 minutos e Filipe Luís responde em segundos: o contraste no caso Vini Jr

A reação de dois treinadores ao mesmo episódio colocou o tema do racismo no centro da discussão esportiva. De um lado, Vincent Kompany, hoje à frente do Bayern de Munique, que dedicou cerca de 12 minutos a uma resposta detalhada sobre o caso envolvendo Vinícius Júnior. Do outro, Filipe Luís, técnico do Flamengo, que optou por uma fala breve, centrada na presunção de inocência e no devido processo legal.


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O contexto é conhecido. Vinícius foi alvo de ofensa racista durante a partida contra o Benfica. A repercussão foi imediata. Em entrevista, Kompany não apenas se solidarizou com o brasileiro como contextualizou o histórico de ataques sofridos por ele na Espanha, criticou a tentativa de inverter o foco para o comportamento do jogador e afirmou que a emoção demonstrada não era algo que pudesse ser fabricado. Falou de responsabilidade coletiva, de ambiente, de cultura.

Horas depois, Filipe foi questionado sobre o mesmo episódio. Disse que, se comprovado, o responsável deve pagar pelo que fez. Em seguida, ressaltou que não cabia a ele julgar e que todos têm direito à defesa. A declaração foi curta, quase protocolar.

O que separa as duas falas

O contraste não está apenas no tempo de resposta. Está na abordagem. Kompany tratou o caso como um sintoma estrutural do futebol europeu, mencionando episódios anteriores, falando de arquibancadas, de repetição de comportamentos e de como o debate costuma se desviar para detalhes irrelevantes. Não evitou a dimensão moral do problema.

Filipe escolheu o campo jurídico. Seu foco foi a cautela. Não houve contextualização histórica, nem aprofundamento sobre o que o racismo representa no cotidiano de atletas negros. Para parte da torcida rubro-negra, especialmente pela ligação de Vini com o clube, soou insuficiente.

A comparação ganhou força nas redes. Trechos das duas entrevistas circularam lado a lado. Enquanto um treinador falava com indignação e densidade, o outro mantinha distância emocional.

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Mais do que estilo, uma diferença de postura

Não se trata apenas de personalidade. Kompany construiu sua resposta a partir da experiência acumulada no futebol inglês e alemão, ambientes que, embora longe de perfeitos, têm discutido o tema com mais frequência institucional. Ao falar, assumiu posição clara.

Filipe, ao contrário, pareceu temer ultrapassar a linha do comentário prudente. A escolha pode ter sido estratégica, mas abriu espaço para críticas. Em um momento em que Vinícius se tornou símbolo do enfrentamento público ao racismo, o silêncio enfático de uns e a contundência de outros passam a ser medidos.

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O episódio expõe uma questão maior: quando o futebol será capaz de reagir de forma uniforme diante de ataques racistas? A diferença entre 12 minutos e algumas frases não é apenas cronológica. Ela revela como cada liderança enxerga o próprio papel em um debate que já não cabe apenas nos tribunais.

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