A discussão entre Flamengo e Vasco ganhou um novo capítulo depois dos comentários de Vanessa Riche sobre as declarações de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e do presidente vascaíno Pedrinho. Em participação no Basticast, a comunicadora criticou o dirigente rubro-negro por questionar a negociação da SAF do Vasco, mas chamou atenção principalmente ao defender as manifestações de Pedrinho contra o presidente do Flamengo. Segundo Vanessa, o vascaíno “não falou nenhuma mentira” e apenas externou aquilo que pensa.
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A afirmação ganha peso porque Pedrinho não se limitou a questionar Bap ou discordar dos argumentos apresentados pelo dirigente. Em declarações anteriores, o presidente do Vasco fez ataques pessoais ao mandatário rubro-negro, utilizando termos como “mau-caráter”, “arrogante”, “soberbo” e “hipócrita”. Bap reagiu judicialmente às declarações, pedindo indenização e retratação.
Foi justamente nesse ponto que Vanessa adotou uma posição bastante clara. Ao comentar a postura de Pedrinho, afirmou que existe um momento em que é necessário falar, posicionar-se e estabelecer limites. Quando questionada sobre o que teria sido dito pelo presidente do Vasco, entretanto, não apresentou uma ressalva em relação aos ataques pessoais. Pelo contrário, sustentou que ele não havia mentido e que apenas expressara sua opinião.
A diferença de tratamento fica evidente quando a comunicadora passa a analisar Bap. O presidente do Flamengo vem questionando a operação envolvendo a SAF do Vasco e defendendo que sejam observados possíveis conflitos de interesses. Em vez de rebater diretamente esse argumento, Vanessa concentrou sua crítica na motivação atribuída ao dirigente. Disse que o “desespero toma conta e é visível” e questionou por que alguém ligado ao Flamengo estaria tão interessado no que acontece dentro do Vasco.
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O problema dessa resposta é que ela desloca a discussão. Bap pode ter interesses políticos, esportivos ou estratégicos ao questionar a operação, mas isso não elimina o conteúdo do questionamento. O Flamengo não tem sustentado simplesmente que é contra a venda da SAF porque o Vasco poderia se tornar um adversário mais forte. A posição apresentada pelo clube está relacionada aos possíveis conflitos de interesses e à necessidade de fiscalização.
Em junho, Bap já havia afirmado que recorreria à Justiça caso a aquisição da SAF avançasse, argumentando que a discussão não era uma questão de preferência pelo Vasco ou de medo do rival, mas de cumprimento das regras. Posteriormente, a ANRESF abriu procedimento para analisar possíveis conflitos relacionados à operação e determinou restrições temporárias envolvendo relações comerciais entre Vasco, Palmeiras e empresas ligadas ao negócio.
Isso não significa que o Flamengo esteja automaticamente certo ou que a negociação seja irregular. Uma investigação não representa uma condenação. O ponto é que o questionamento deixou de ser apenas uma discussão entre torcedores ou dirigentes. Existe uma análise institucional em andamento, justamente para verificar se as relações existentes na operação podem produzir algum conflito incompatível com as regras do futebol.
É nesse cenário que a declaração de Vanessa sobre Pedrinho se torna ainda mais relevante. Se o presidente do Vasco tem o direito de externar aquilo que pensa sobre Bap, mesmo quando suas palavras atingem pessoalmente o dirigente, por qual razão Bap não poderia questionar uma operação que envolve um clube concorrente? A resposta precisaria estabelecer uma diferença objetiva entre as duas situações.
Vanessa, inclusive, se apresenta no debate como profissional ligada à comunicação e relata atuar como mentora na área. Isso torna ainda mais interessante o critério adotado. Comunicação não trata apenas de liberdade para falar. Também envolve responsabilidade sobre aquilo que é afirmado, distinção entre opinião e fato e cuidado para não transformar uma acusação pessoal em verdade simplesmente porque alguém acredita nela.
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O presidente do Flamengo pode ser arrogante, prepotente ou desagradável aos olhos de seus críticos. Isso pertence ao campo da opinião. Já afirmar que alguém é mau-caráter é uma acusação sobre seu caráter. Sem elementos que sustentem a afirmação, a declaração pode ultrapassar o campo da crítica política e esportiva. Foi justamente essa diferença que desapareceu na análise apresentada por Vanessa.
Há, portanto, uma contradição no tratamento dado aos dois dirigentes. Quando Bap questiona uma negociação e pede que um órgão regulador analise possíveis conflitos, Vanessa interpreta a postura como excesso de preocupação com o rival e falta de respeito. Quando Pedrinho parte para críticas pessoais contra Bap, a reação é apresentada como legítima manifestação de opinião. E a comunicadora vai além: afirma que o presidente do Vasco não disse nenhuma mentira.
Não se trata de exigir que Vanessa defenda Bap. Ela tem todo o direito de discordar do presidente do Flamengo e defender os interesses do Vasco. O problema está em validar uma ofensa pessoal como se ela fosse apenas uma consequência natural do direito de opinião. Uma coisa é Pedrinho discordar da posição de Bap. Outra é atribuir ao adversário características negativas sobre as quais precisaria apresentar provas.
O mesmo raciocínio vale para Bap. O presidente também pode ser questionado pela maneira como conduz o debate. Pode-se discutir se sua estratégia é politicamente inteligente, se suas declarações são convenientes ou se o Flamengo deveria deixar a questão exclusivamente nas mãos dos órgãos reguladores. O que não muda é a natureza do questionamento: provocar uma instituição para analisar uma operação não constitui, por si só, uma ofensa ao clube ou aos seus dirigentes.
A fala de Vanessa, nesse sentido, acaba revelando mais sobre a disputa de narrativas entre Flamengo e Vasco do que sobre a própria SAF. Ao colocar a preocupação de Bap como uma demonstração de medo do rival, ela transforma uma discussão regulatória em uma disputa de torcida. Ao mesmo tempo, ao defender as falas de Pedrinho, reduz ataques pessoais a uma simples manifestação de opinião.
A questão poderia ser muito mais simples. Se Bap está errado sobre o conflito de interesses, basta demonstrar onde está o erro. Se as relações envolvendo os diferentes personagens da operação não representam qualquer risco à independência dos clubes ou à competição, essa é uma resposta objetiva. Se o Flamengo não deveria ter provocado o órgão regulador, também é possível explicar por quê.
Mas dizer que Bap está preocupado demais com o Vasco não responde a nenhuma dessas perguntas. E dizer que Pedrinho apenas falou o que pensa também não transforma uma acusação pessoal em fato comprovado.
No fim, a declaração mais reveladora de Vanessa talvez seja justamente aquela que parecia mais simples: “ele não falou nenhuma mentira”. Ao concordar com Pedrinho nesse ponto, a comunicadora não apenas defende o direito do presidente do Vasco de se manifestar. Ela acaba validando também o conteúdo de seus ataques contra Bap.
E é aí que surge a principal contradição. Para Vanessa Riche, Bap estaria ultrapassando os limites ao questionar a operação da SAF do Vasco. Pedrinho, por outro lado, teria apenas exercido seu direito de falar ao atacar pessoalmente o presidente do Flamengo. O debate, portanto, deixa de ser apenas sobre Flamengo, Vasco ou SAF. Passa a ser também sobre quais critérios devem ser usados para diferenciar crítica, questionamento e ofensa.
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