Lançamentos da Adidas e Flamengo que estão chegando

A Adidas voltou a movimentar o mercado de camisas do Flamengo com o vazamento de novas peças da linha EQT, coleção inspirada na estética dos anos 1990 e associada ao último período da primeira passagem da marca alemã pelo clube. As imagens divulgadas nos últimos dias mostram uma coleção com agasalho vintage, camisetas combinando, aplicação do Trefoil e uso do escudo do remo, numa decisão visual que troca o CRF moderno por um símbolo histórico do Flamengo. A novidade ainda não deve ser tratada como camisa oficial de jogo, mas como parte de uma estratégia maior da Adidas: transformar arquivo, memória e linguagem retrô em produto de alto apelo comercial para clubes de elite e mercados tradicionais.
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O ponto principal é justamente esse. A linha EQT não nasce apenas para vestir torcedor. Ela nasce para vender uma ideia de época. A Adidas vem apostando em coleções de lifestyle inspiradas nos modelos Equipment dos anos 1990, com camisas, jaquetas, peças casuais e produtos que recuperam o desenho de blocos, golas marcantes, faixas largas e uma estética esportiva que deixou de ser apenas uniforme para virar moda. Segundo o Footy Headlines, a marca prepara uma coleção retrô para clubes de elite na temporada 2026-27, inspirada no visual EQT dos anos 90.
Não é camisa de jogo, e isso precisa ficar claro
A primeira confusão no debate aparece quando parte da torcida olha para a peça branca vazada e tenta encaixá-la como camisa de jogo. Pela leitura das imagens e pelo padrão da coleção, a interpretação mais segura é outra: a camisa branca parece mais próxima de uma peça casual da linha Equipment do que de um uniforme de partida. Ela tem gola careca, visual de camiseta, blocos em vermelho e preto, e não segue o padrão mais característico dos modelos EQT de jogo, que costumam trabalhar uma gola mais elaborada, com desenho em V e construção mais próxima das camisas noventistas.
As imagens chamam atenção para esses detalhes ao comparar a peça branca com outros modelos da Adidas dentro da mesma linguagem. A camisa vermelha, por outro lado, parece representar melhor a ideia de uma peça equivalente ao visual de jogo dentro da coleção, com desenho mais próximo do conceito Equipment. Isso não significa que será usada em campo. Significa apenas que, dentro da narrativa estética da linha, ela carrega mais elementos de camisa esportiva tradicional do que a camiseta branca, que deve funcionar como opção casual.
Essa distinção é importante porque o torcedor do Flamengo aprendeu a olhar camisa com lupa. Gola, escudo, logo, proporção, cor, faixa, textura e corte viram assunto sério. Quando a Adidas coloca no mercado uma coleção que evoca 1992, último ano da primeira parceria com o clube, ela mexe com uma memória muito específica. O Flamengo foi campeão brasileiro naquele período, encerrou um ciclo com a fornecedora alemã e deixou para trás um conjunto de camisas que hoje ocupam lugar nobre entre colecionadores. Não dá para tratar qualquer peça dessa linha como uniforme comum.
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O escudo do remo como escolha política e estética
O uso do escudo do remo é uma das decisões mais interessantes da coleção. A Adidas poderia simplesmente repetir o CRF, caminho mais seguro e comercialmente óbvio. Ao optar pelo símbolo histórico com âncoras e remos, a marca reforça uma ligação com as origens do Flamengo e com um tipo de memória que vai além do futebol profissional. A escolha conversa com outras peças recentes da Adidas para o clube, que também buscaram no remo uma forma de diferenciar coleções e escapar da repetição do mesmo repertório visual.
Essa decisão tem força, mas também exige cuidado. O Flamengo é um clube de massa, e o CRF é um dos monogramas mais reconhecidos do futebol mundial. Quando uma camisa troca esse símbolo por outro emblema, ela precisa ter conceito para sustentar a mudança. No caso da linha EQT, a ideia parece fazer sentido porque a coleção não tenta simular o uniforme principal do time. Ela trabalha no campo da memória, do lifestyle e da peça de coleção. O escudo do remo, nesse contexto, funciona como elemento de arquivo e não como tentativa de substituir a identidade predominante do futebol.
O vazamento também mostra que a coleção deve incluir mais do que camisa. Há ainda moletom e calça ligados à mesma linha, com previsão de lançamento em 30 de julho, junto ao novo manto 3. Esse tipo de pacote mostra como a Adidas entende o Flamengo hoje: não apenas como clube que vende uniforme, mas como marca capaz de sustentar uma coleção completa. O torcedor compra a camisa, mas também compra o moletom, o tênis, a calça, a peça casual e a ideia de pertencimento. É o futebol entrando cada vez mais no mercado de moda, sem deixar de ser futebol.
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Nostalgia virou estratégia comercial
A Adidas não está fazendo caridade histórica. Ela percebeu que nostalgia vende. E vende muito. Em um mercado saturado por lançamentos anuais, terceiros uniformes, camisas de aquecimento, coleções especiais e produtos comemorativos, o retrô tem uma vantagem competitiva: ele não depende apenas da criatividade do designer de hoje. Ele se apoia na emoção de ontem. Quando bem executado, o produto já nasce com história, mesmo sendo novo.
No caso do Flamengo, esse efeito é ainda mais forte. O clube tem uma torcida gigantesca, uma memória visual rica e uma relação intensa com camisas antigas. O rubro-negro dos anos 80, o branco reserva, o Lubrax, o Trefoil, o escudo do remo, o desenho EQT e os blocos noventistas não são apenas elementos gráficos. São gatilhos afetivos. Eles lembram títulos, ídolos, infância, arquibancada, coleções guardadas, fotos antigas e debates intermináveis sobre qual foi o manto mais bonito.
A expectativa também aumenta porque o Flamengo aparece dentro de uma onda global da Adidas, ao lado de clubes que recebem coleções inspiradas em períodos fortes da marca. O Footy Headlines já trata o time rubro-negro dentro desse universo de vazamentos e produtos retrô, com destaque para a coleção Adidas Flamengo 1992, descrita como uma linha com agasalho vintage e camisetas que remetem à estética esportiva dos anos 1990.
O saldo, por enquanto, é positivo. A coleção parece entender que o Flamengo pode vender mais do que camisa de jogo. Pode vender memória organizada, produto casual, estética de arquibancada e símbolo histórico. A ressalva é que o clube e a Adidas precisam comunicar bem o que cada peça é. Se é camiseta casual, que seja apresentada como tal. Se é coleção EQT, que a linguagem fique clara. Se não é uniforme de partida, melhor evitar confusão. O torcedor rubro-negro gosta de novidade, mas não gosta de ser tratado como consumidor desatento. Quando o assunto é manto, cada detalhe vira discussão, e talvez seja exatamente por isso que essas peças façam tanto barulho antes mesmo de chegarem às lojas.
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