A tentativa de desqualificar a recepção da torcida do Flamengo a Lucas Paquetá terminou em constrangimento público para um comentarista palmeirense, que viu seu discurso ruir diante de imagens e fatos recentes envolvendo o próprio clube. Ao criticar a presença de rubro-negros no aeroporto, em dia de semana, o comentarista ignorou, ou fingiu ignorar, que a torcida do Palmeiras protagonizou cena idêntica na chegada de Miguel Borja.
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O episódio ocorreu durante uma transmissão ao vivo, quando o debate girava em torno da volta de Paquetá ao futebol brasileiro. O comentarista questionou a atitude dos torcedores do Flamengo, sugerindo que aquelas pessoas “deveriam estar trabalhando”, num comentário que rapidamente ganhou contornos de desprezo social. O argumento, porém, durou pouco. Bastou que outros participantes do programa lembrassem a recepção organizada pela torcida palmeirense para Borja, com aeroporto tomado, bateria, cânticos e jogadores sendo carregados nos braços.
As imagens da chegada de Borja são públicas, fartamente divulgadas à época e impossíveis de negar. Ainda assim, naquele momento, não houve qualquer cobrança moral semelhante. O gesto foi tratado como festa, demonstração de amor e engajamento da torcida.
A diferença de tratamento escancara um padrão antigo no debate esportivo brasileiro. Quando a torcida do Flamengo se mobiliza, o enquadramento tende ao julgamento. Quando a cena se repete em outros clubes, o tom muda. A crítica deixa de existir ou é suavizada até desaparecer. Não se trata de discutir se ir ao aeroporto é certo ou exagerado. Essa é uma opinião legítima. O problema está na seletividade do incômodo.
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No caso específico de Paquetá, há ainda um elemento que torna o ataque mais frágil. O meia é cria da Gávea, formado no clube, torcedor assumido e com uma relação afetiva que extrapola o campo. A recepção não foi apenas a um reforço, mas a alguém que representa identidade, memória e pertencimento. Ignorar esse contexto empobrece o debate e transforma análise em provocação vazia.
O constrangimento ficou ainda maior quando o comentarista tentou se justificar, afirmando que também considerava “bizarra” a recepção palmeirense. O argumento soou tardio e pouco convincente. A crítica inicial já havia sido feita com endereço certo, e o recuo não apagou a contradição exposta ao vivo.
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Esse tipo de discurso revela mais sobre quem fala do que sobre quem torce. A ideia de que torcedor do Flamengo é desocupado, enquanto o de outros clubes é exemplo de dedicação ao trabalho, não resiste ao mínimo confronto com a realidade. Folga existe, escala existe, horário flexível existe. O futebol, goste-se ou não, faz parte da vida social brasileira.
Ao fim, o episódio não virou debate sobre Paquetá, nem sobre recepções em aeroportos. Tornou-se mais um retrato da dificuldade de parte da imprensa em lidar com o Flamengo sem recorrer a estigmas. E, dessa vez, a lembrança da chegada de Borja serviu como espelho incômodo, daqueles que ninguém gosta de encarar por muito tempo.
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