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Paulo Tinoco revela histórias esquecidas e explica como nasceu o livro “Flamengo, o Fenômeno Nacional”

Paulo Tinoco revela histórias esquecidas e explica como nasceu o livro "Flamengo, o Fenômeno Nacional"

Poucos projetos editoriais recentes sobre o Flamengo carregam uma ambição tão ampla quanto a de Paulo Tinoco. Após décadas reunindo documentos, discos, fotografias, jornais, filmes, partituras e registros históricos espalhados por bibliotecas, arquivos públicos e coleções particulares, o pesquisador lançou a pré-venda de “Flamengo, o Fenômeno Nacional”, obra que promete reconstruir a trajetória rubro-negra por um caminho pouco explorado: a relação entre o clube e a formação cultural do Brasil. O primeiro volume, que cobre o período entre 1895 e 1960, já está disponível para encomenda e foi tema de uma entrevista concedida à Brabo TV.


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Mais do que um livro sobre futebol, o trabalho surge como uma tentativa de explicar por que o Flamengo ultrapassou há muito tempo os limites do campo. Ao longo da conversa, Tinoco apresentou detalhes da pesquisa, explicou como o projeto nasceu e revelou histórias de personagens fundamentais para a construção do clube que acabaram praticamente apagados da memória popular.

Uma pesquisa que começou na arquibancada

A origem do projeto remonta ao final da década de 1970. Morador de Macaé, Tinoco viveu de perto o impacto social provocado pela geração de Zico e pelas conquistas que transformaram o Flamengo em fenômeno nacional. As comemorações que atravessavam bairros inteiros, a mobilização popular e a presença constante do clube no cotidiano despertaram nele um impulso de colecionador. Primeiro vieram revistas, livros e fitas VHS. Depois, surgiram os registros musicais relacionados ao Flamengo.

O ponto de virada ocorreu após assistir ao documentário Flamengo Paixão, lançado em 1980. A trilha sonora da produção despertou uma curiosidade que acabaria se transformando em obsessão acadêmica. Durante anos, Tinoco reuniu canções que mencionavam o clube até criar um dos maiores acervos já catalogados sobre o tema. Hoje, segundo ele, são aproximadamente 1.650 músicas registradas, incluindo gravações, regravações, partituras e informações técnicas completas sobre autores, intérpretes e gravadoras.

O que começou como coleção pessoal acabou revelando algo muito maior. A cada nova descoberta surgiam evidências de que a presença do Flamengo na cultura brasileira era muito mais profunda do que aparecia nos livros tradicionais sobre a história do clube.

Das músicas para a história cultural do Flamengo

A partir dos anos 2000, o pesquisador percebeu que existia uma enorme lacuna bibliográfica. Enquanto a trajetória esportiva rubro-negra já possuía dezenas de obras, a relação do Flamengo com a música, o teatro, o cinema, o carnaval e os movimentos culturais permanecia praticamente ignorada.

Foi então que o trabalho ganhou uma dimensão mais ampla. A partir de 2012, Tinoco intensificou pesquisas presenciais em instituições como a Biblioteca Nacional, o Museu da Imagem e do Som e o Instituto Moreira Salles. Paralelamente, passou a frequentar feiras de antiguidades, consultar colecionadores e explorar a Hemeroteca Digital em busca de referências esquecidas.

O resultado foi a descoberta de uma quantidade impressionante de informações inéditas. Durante a entrevista, ele citou exemplos que vão desde peças teatrais inspiradas no Flamengo nas primeiras décadas do século XX até registros cinematográficos de carnavais rubro-negros exibidos em salas de cinema nos anos 1920. Também mencionou filmagens históricas do tricampeonato carioca de 1944 que, segundo ele, ainda não foram localizadas.

Essas descobertas ajudaram a consolidar a tese central da obra: o Flamengo não pode ser explicado apenas por títulos, jogadores ou dirigentes. Sua trajetória está diretamente ligada à formação cultural do país e à construção de uma identidade coletiva que atravessou gerações.

ENTREVISTA COMPLETA:

Os heróis esquecidos da fundação

Um dos momentos mais interessantes da entrevista aconteceu quando Paulo Tinoco foi questionado sobre personagens que considera injustamente esquecidos pela historiografia rubro-negra. A resposta veio imediatamente: José Agostinho Pereira da Cunha.

Segundo o pesquisador, entre os 18 fundadores que assinaram a ata de criação do clube, José Agostinho foi quem permaneceu ligado ao Flamengo durante toda a vida. Enquanto outros pioneiros seguiram caminhos diferentes, ele permaneceu atuando em momentos decisivos da consolidação institucional rubro-negra. Para Tinoco, sua importância é tão grande que, caso o clube construa um estádio próprio, o local deveria receber seu nome.

A admiração não é casual. O autor relata ter visitado o túmulo do fundador no Cemitério São João Batista e pesquisado detalhadamente sua trajetória. Para ele, José Agostinho representa a coluna vertebral do Flamengo nos anos mais difíceis de sua formação, período em que a sobrevivência do clube dependia da dedicação de dirigentes e associados que trabalhavam sem qualquer projeção pública.

Outro nome destacado foi Nestor de Barros. Integrante do núcleo fundador ao lado de José Agostinho e Mário Espínola, ele teve papel decisivo na organização inicial do clube, mas acabou praticamente desaparecendo da narrativa histórica após retornar para São Paulo, onde construiu carreira política. Tinoco argumenta que sua participação foi fundamental para a criação do Flamengo e merece reconhecimento muito maior do que recebe atualmente.

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Um livro que pretende mudar a forma de contar a história rubro-negra

O primeiro volume de Flamengo, o Fenômeno Nacional reúne mais de 500 imagens, possui 532 páginas e cobre os primeiros 65 anos de existência do clube. A obra conta ainda com quarta capa assinada por RuY Castro e prefácio de Maurício Neves de Jesus, um dos mais respeitados pesquisadores da história rubro-negra.

Mas o principal diferencial parece estar no método adotado pelo autor. Em vez de concentrar a narrativa apenas nos acontecimentos esportivos, o livro acompanha a presença do Flamengo na sociedade brasileira. O clube aparece como protagonista de manifestações culturais, movimentos populares, produções artísticas e transformações sociais que ajudaram a construir sua dimensão nacional.

Essa abordagem ajuda a explicar por que o projeto desperta expectativa entre historiadores, pesquisadores e torcedores. Em um ambiente onde grande parte das publicações repete episódios já conhecidos, Tinoco aposta na documentação inédita, no resgate de personagens esquecidos e na contextualização histórica para ampliar a compreensão sobre o fenômeno Flamengo.

Ao final da entrevista, ficou evidente que o livro não é apenas o resultado de uma pesquisa. É o fechamento provisório de uma jornada iniciada ainda na adolescência de um torcedor que decidiu transformar paixão em documentação histórica. Ao reunir cultura, memória, música e futebol em uma única narrativa, Paulo Tinoco apresenta uma obra que tem potencial para se tornar referência obrigatória para quem deseja compreender como um clube fundado por remadores no final do século XIX se transformou em um dos maiores fenômenos populares do mundo.

Obra “Flamengo – O Fenômeno Nacional” abre pré-venda e revisita a construção cultural do Flamengo

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