Relatório aponta que Flamengo tem uma das torcidas mais fortes do mundo

Relatório aponta que Flamengo tem uma das torcidas mais fortes do mundo
Foto: Mariana Sá/Flamengo

O Flamengo consolidou em 2026 uma posição que vai além do tamanho de sua torcida: o clube se tornou a principal marca do futebol brasileiro em força e valor, segundo o relatório Football 50, da Brand Finance. A avaliação mostra que aproximadamente 21% dos torcedores brasileiros se identificam com o Rubro-Negro, enquanto indicadores como paixão e reputação alcançam níveis ainda mais expressivos, com 68% e 63%, respectivamente. Os números ajudam a explicar por que a marca se tornou uma plataforma comercial capaz de sustentar patrocínios, produtos, conteúdo e experiências que vão muito além da exposição de uma empresa na camisa.


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O ponto central do levantamento está justamente na diferença entre esses indicadores. Ter 21% da base de torcedores significa possuir uma escala extraordinária de público. Os índices de paixão e reputação, por outro lado, revelam a qualidade dessa relação. Para uma empresa interessada em associar sua imagem ao futebol, não basta saber quantas pessoas acompanham determinado clube. É necessário entender o quanto essas pessoas se envolvem, confiam e se identificam com aquela instituição.

Uma torcida que funciona como plataforma

A força comercial do Flamengo começa pela escala. A Brand Finance aponta o clube como dono da maior torcida do país, com aproximadamente 21% dos torcedores brasileiros. Essa dimensão cria um mercado potencial que poucos clubes conseguem alcançar, mas o número isolado não explica toda a vantagem competitiva rubro-negra.

Os 68% registrados no indicador de paixão mostram outro tipo de ativo. O torcedor apaixonado tende a apresentar maior disposição para acompanhar partidas, consumir produtos, interagir com conteúdos e incorporar elementos do clube ao cotidiano. Para marcas parceiras, isso significa uma possibilidade de relacionamento que não se limita aos minutos de exposição durante uma transmissão esportiva.

A reputação, por sua vez, aparece como uma terceira dimensão. O índice de 63% indica a percepção positiva construída em torno da instituição. Quando escala, paixão e reputação caminham juntas, o potencial comercial deixa de depender exclusivamente do tamanho da audiência. O clube passa a oferecer diferentes portas de entrada para empresas que desejam falar com o mesmo público.

É justamente aí que a marca Flamengo pode ser trabalhada como plataforma. Uma patrocinadora pode buscar exposição tradicional, mas também pode desenvolver campanhas digitais, produtos licenciados, experiências para torcedores, ativações em dias de jogos, projetos culturais ou conteúdos próprios. A mesma comunidade pode ser alcançada de maneiras distintas, de acordo com o objetivo comercial de cada parceiro.

O patrocínio é apenas uma parte da equação

O futebol brasileiro vive uma expansão importante nesse mercado. A Brand Finance aponta que os clubes da Série A alcançaram receita recorde de aproximadamente R$ 15 bilhões em 2025, enquanto nove das dez principais marcas brasileiras registraram valorização. O movimento mostra que existe uma disputa crescente pela atenção do torcedor e pelo dinheiro das empresas.

O Flamengo parte de uma posição privilegiada nessa corrida. Em 2026, sua marca foi avaliada em US$ 179 milhões, crescimento de 48% em relação ao levantamento anterior. O clube saltou da 44ª para a 32ª posição entre as marcas de futebol mais valiosas do mundo e se manteve como líder absoluto no mercado brasileiro.

A força da marca também aparece no Brand Strength Index, o BSI, que chegou a 76,9 pontos em 100. O indicador considera diferentes dimensões da percepção dos torcedores e coloca o Flamengo como a marca de clube mais forte do país. O Corinthians aparece na sequência, com 68,9 pontos.

Isso ajuda a compreender por que o valor de uma camisa, de uma propriedade comercial ou de uma campanha envolvendo o Flamengo não pode ser analisado apenas pela quantidade de pessoas alcançadas. Uma marca forte pode entregar frequência, identificação e capacidade de engajamento. O patrocinador compra exposição, mas também pode comprar associação emocional.

Do uniforme ao conteúdo

O modelo comercial dos grandes clubes mudou. Durante muito tempo, a principal entrega para uma empresa era ocupar um espaço físico no uniforme ou em uma placa do estádio. A transformação digital ampliou esse território. Hoje, o clube pode oferecer audiência em redes sociais, produção audiovisual, ações com jogadores, experiências presenciais, aplicativos, plataformas de relacionamento, licenciamento e projetos especiais.

O Flamengo tem uma vantagem natural nesse ambiente porque consegue distribuir a mesma identidade por diferentes formatos. Um produto pode ser apresentado como parte da cultura rubro-negra. Uma campanha pode explorar a história do clube. Um conteúdo pode transformar um jogador ou um momento esportivo em elemento de comunicação. Uma experiência no estádio pode aproximar o consumidor daquilo que, para o torcedor, possui valor afetivo.

Essa combinação também explica por que paixão e reputação são tão importantes quanto o tamanho da torcida. Uma audiência gigantesca sem envolvimento pode ter pouco valor comercial. Uma comunidade menor, mas extremamente conectada, pode oferecer resultados superiores em determinados segmentos. O Flamengo reúne as duas características em uma escala rara no futebol brasileiro.

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O tamanho do desafio

A evolução da marca não significa que o Flamengo tenha alcançado o patamar comercial dos gigantes europeus. O clube aparece em 32º lugar no mundo em valor de marca, enquanto Real Madrid e Barcelona ocupam as primeiras posições. O Palmeiras é o outro brasileiro entre os 50 primeiros, na 49ª colocação, com valor de US$ 105 milhões.

A diferença revela o potencial ainda disponível. Os dez clubes mais valiosos do mundo concentram mais de 60% do valor total das 50 maiores marcas, segundo o levantamento. O Real Madrid, líder da lista, alcançou € 2,4 bilhões em valor de marca, uma dimensão muito superior à dos representantes brasileiros.

O Flamengo, portanto, possui uma característica particularmente interessante: sua força de marca já está mais próxima da dimensão de sua torcida do que sua monetização está da dimensão dos maiores clubes globais. A questão passa a ser como transformar essa vantagem cultural em negócios recorrentes, internacionais e cada vez mais diversificados.

A resposta não está simplesmente em cobrar mais por patrocínios. Está em criar propriedades comerciais, entender melhor os diferentes perfis de torcedores e oferecer às empresas caminhos específicos para conversar com eles. Os 21% de participação na torcida, os 68% de paixão e os 63% de reputação não representam a mesma coisa e, justamente por isso, podem ser explorados de maneiras diferentes.

O Flamengo já possui aquilo que nenhuma estratégia de marketing consegue fabricar rapidamente: escala, identificação e história. O próximo estágio é transformar esses ativos em produtos, experiências e contratos capazes de aproximar o valor financeiro da marca da força que ela demonstra no imaginário do torcedor. O relatório da Brand Finance mostra que o clube avançou nessa direção. Também deixa claro que ainda existe muito dinheiro a ser encontrado entre a paixão de uma torcida e o tamanho do negócio que ela pode sustentar.

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