Abel Ferreira convoca mídia palestrina e reforça método de pressão contra o Flamengo e arbitragem

As declarações recentes de Abel Ferreira após mais uma vitória do Palmeiras voltaram a acender um debate que já não pode mais ser tratado como coincidência. O técnico português, mais uma vez, utilizou a entrevista coletiva para deslocar o foco do desempenho da equipe, tensionar o ambiente com rivais, alimentar a ideia de perseguição institucional e convocar publicamente a chamada “mídia palestrina” para um movimento de mobilização narrativa. O discurso não é novo, mas sua repetição constante revela que não se trata de impulso, e sim de método.
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Após o Palmeiras vencer o Jacuipense por 3 a 0, um resultado que, apesar do placar, gerou críticas sobre o desempenho da equipe diante de um adversário tecnicamente inferior, Abel preferiu não concentrar sua fala no campo. Em vez disso, voltou a abordar arbitragem, sugeriu favorecimentos a outros clubes e reforçou o tradicional discurso do “contra tudo e contra todos”, uma fórmula antiga no futebol, mas que no caso palmeirense vem sendo aplicada com precisão quase industrial.
A frase mais emblemática da coletiva foi direcionada aos torcedores e aos canais alinhados ao clube: “Aos nossos torcedores e às mídias palestrinas estou a sentir o que nunca senti, que é estarmos unidos contra tudo e todos. O que virmos de outro lado é para ser dito” . Não foi apenas uma opinião. Foi uma convocação pública.
O problema não está apenas na retórica inflamável. Está na utilização consciente dessa retórica como ferramenta política para pressionar arbitragem, STJD, imprensa e opinião pública, ao mesmo tempo em que se cria uma cortina de fumaça sobre o desempenho esportivo e sobre o próprio comportamento reincidente do treinador.
O discurso como cortina de fumaça
Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2025, especialmente no segundo semestre, Abel já vinha utilizando esse expediente com frequência crescente. Em 2026, ainda em abril, o roteiro já se repete pela sexta, sétima ou oitava vez, segundo a própria percepção de quem acompanha o tema diariamente .
O funcionamento é relativamente simples. Quando o Palmeiras vence sem convencer, quando há críticas internas sobre atuação, quando o time não apresenta desempenho compatível com a expectativa, surge rapidamente uma nova narrativa externa. Arbitragem, perseguição institucional, rival favorecido, imprensa parcial. O centro da discussão deixa de ser o jogo e passa a ser o ambiente.
Foi exatamente isso após a vitória por 3 a 0. O resultado não apagou a sensação de atuação abaixo do esperado contra um adversário de Série D, que acumulava longa sequência sem vitórias. Em vez de discutir por que o Palmeiras não convenceu, o debate passou a girar em torno da arbitragem e das insinuações de Abel.
A fumaça cumpre sua função.
A falsa simetria e a defesa conveniente
Um dos argumentos mais repetidos por defensores de Abel é a comparação com outros treinadores, especialmente Dorival Júnior e Filipe Luís. A linha costuma ser a mesma: se eles também falam de arbitragem, por que apenas Abel é punido?
A resposta está no comportamento.
Abel não foi suspenso apenas por criticar arbitragem. Foi punido por reincidência e por um histórico constante de agressividade na beira do campo. Xingamentos a auxiliares, ataques verbais, gestos obscenos, insultos e confrontos reiterados fazem parte de uma conduta que ultrapassa há muito tempo a simples reclamação esportiva.
Comparar isso com Dorival Júnior, conhecido pela postura cordial até em momentos de tensão, ou com Filipe Luís, que raramente tocou nesse tema e manteve comportamento muito mais controlado, é um exercício claro de falsa simetria.
Como foi bem resumido, “o Abel foi punido porque ele tem um comportamento horrível na beira do campo” . Não se trata de opinião sobre arbitragem, mas de conduta.
Quando alguém abandona o argumento e parte para insulto, ameaça ou obscenidade, perde a razão mesmo que tenha parte dela no conteúdo original.
O apoio de parte da imprensa e o papel da mídia alinhada
Outro ponto central dessa engrenagem está na atuação de parte da imprensa esportiva. Não apenas na blindagem posterior, mas na participação ativa na construção da narrativa.
O episódio envolvendo André Hernan antes do jogo do Palmeiras virou símbolo disso. Em vez de questionamento crítico, houve uma condução que soou como dobradinha, com insinuações sobre arbitragem e espaço confortável para reforçar o discurso do treinador. O repórter deixa de exercer a função de confrontar e passa a levantar a bola.
A crítica feita foi direta: “o cara pega a função de repórter e joga no lixo, fazendo piadinha e levantando bola pro treinador” .
Isso não significa que todo jornalista favorável ao Palmeiras esteja agindo assim, mas revela como determinados setores acabam funcionando como extensão estratégica da narrativa construída pelo clube. Quando a pergunta já nasce como confirmação da tese, não há entrevista, há reforço.
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O método explicado por outros jornalistas
A percepção de que existe uma estratégia coordenada não parte apenas da rivalidade de torcidas. Jornalistas de perfis distintos vêm apontando o mesmo fenômeno.
Rodrigo Mattos resumiu de forma precisa: “os objetivos do discurso do Abel Ferreira são pressionar a arbitragem e disfarçar o desempenho do Palmeiras, que tem muito resultado e pouco desempenho” . A frase atinge o centro da questão.
Jorge Iggor foi além e classificou a fala como uma convocação explícita de tropa de choque. Segundo ele, o treinador está dizendo claramente que o Palmeiras precisa “ganhar a briga de narrativa” e que a imprensa alinhada deve participar disso .
Até Flávio Prado, historicamente distante de qualquer alinhamento rubro-negro, criticou a estratégia e afirmou que o discurso do “contra tudo e contra todos” é antigo, previsível e usado como mecanismo recorrente de proteção política, além de defender que a punição ao treinador deveria ser até maior diante da reincidência .
Quando vozes tão diferentes convergem na mesma leitura, talvez o problema não esteja apenas na interpretação.
O método palmeirense e a pressão institucional
Nos bastidores, essa lógica foi resumida por uma análise que chamou atenção ao descrever um “método coordenado de pressão”. A estrutura envolve diretoria, treinador, comissão técnica, jogadores, imprensa clubista e redes sociais, todos operando para criar um ambiente favorável em CBF, STJD, arbitragem e opinião pública .
O objetivo seria simples: transformar percepção em pressão institucional. Se a arbitragem sente o ambiente, se o STJD percebe mobilização, se a narrativa pública já está previamente construída, decisões futuras tendem a ser influenciadas.
Não é exclusividade do Palmeiras. Outros clubes também tentam fazer isso em diferentes escalas. Mas no caso atual, a sofisticação e a insistência tornam o processo mais visível.
E o próprio Abel acaba funcionando como o principal operador dessa engrenagem.
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A narrativa como substituição do futebol
O maior problema talvez esteja aí. Quando sobra narrativa e falta bola, o debate esportivo empobrece.
O Palmeiras segue sendo um time competitivo e extremamente forte em resultados. Mas justamente por isso, seria natural discutir desempenho, repertório tático, evolução coletiva e escolhas técnicas. Em vez disso, grande parte da energia pública acaba desviada para guerras narrativas permanentes.
A frase de Rodrigo Mattos talvez resuma melhor que qualquer outra: “falta bola, sobra narrativa”.
Essa lógica interessa ao treinador porque protege o ambiente interno e desloca a cobrança. Mas, no longo prazo, também cria uma cultura de vitimização permanente, onde qualquer crítica externa vira perseguição e qualquer contestação interna pode ser tratada como deslealdade.
O que a mídia palmeirense fará
A pergunta que permanece é se os canais independentes ligados ao Palmeiras aceitarão essa convocação integralmente ou se manterão autonomia crítica.
Essa é a parte mais importante.
Porque imprensa de clube não precisa ser imprensa de blindagem. Defender o Palmeiras não exige aceitar toda construção narrativa sem questionamento. Assim como mídia rubro-negra não deve proteger automaticamente erros do Flamengo, canais palmeirenses também precisam decidir se serão análise ou tropa de choque.
O futebol brasileiro já sofre demais com polarização artificial e guerra de versões. Quando treinadores passam a convocar imprensa alinhada como braço estratégico de disputa institucional, o risco deixa de ser apenas esportivo.
Passa a ser uma erosão da própria credibilidade do debate.
Abel Ferreira sabe exatamente o que faz. A questão agora é descobrir quem vai continuar fingindo que isso é espontâneo.
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