Detonou! Milly Lacombe critica GE TV e aponta crise de identidade após polêmicas na Copa do Mundo

A participação da GE TV na Copa do Mundo de 2026 terminou cercada por uma discussão que ultrapassou audiência, direitos de transmissão ou desempenho comercial. Ao analisar a atuação do canal durante o torneio, Milly Lacombe apontou problemas de identidade editorial, questionou a condução de episódios envolvendo Bruno Formiga e Luana Maluf e defendeu uma revisão de rota em um projeto criado para disputar espaço no ambiente digital com a CazéTV. A crítica central está na dificuldade de conciliar jornalismo, entretenimento e informalidade sem que os próprios profissionais pareçam desconfortáveis com o formato escolhido.
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O debate ganhou força porque algumas das maiores repercussões envolvendo a GE TV durante o Mundial nasceram justamente de controvérsias. Entre elas estiveram a reação de Bruno Formiga a uma brincadeira sobre Neymar, a postura do comentarista após a eliminação da Seleção Brasileira e o episódio em que Luana Maluf se incomodou com uma provocação sobre o Palmeiras. Para Milly, esses acontecimentos expuseram uma contradição: um canal apresentado como espaço de resenha e descontração reuniu profissionais que, em determinados momentos, demonstraram resistência justamente ao tipo de linguagem escolhido pelo projeto.
Bruno Formiga e a fronteira entre opinião, brincadeira e função jornalística
Um dos principais exemplos utilizados na análise envolve Bruno Formiga. Durante a competição, colegas brincaram com o comentarista por causa de sua posição sobre Neymar e de uma declaração anterior de Jorge Jesus. Formiga não entrou na provocação e posteriormente explicou que aquele tipo de humor não fazia parte de sua personalidade, além de reafirmar os argumentos que sustentavam sua discordância em relação ao treinador português.
Não há problema em um jornalista defender uma convicção ou não participar de determinada brincadeira. A questão aparece quando o formato da atração depende justamente de espontaneidade, interação e informalidade. Se o profissional não se sente confortável com essa linguagem, surge uma incompatibilidade que não necessariamente torna alguém errado, mas levanta dúvidas sobre o encaixe entre contratado e produto.
O contraste ficou mais evidente porque, em outro momento relacionado a Neymar, Formiga participou de forma muito mais efusiva da brincadeira. Durante a convocação do atacante para a Seleção Brasileira, interrompeu a leitura da lista, reagiu aos comentários dos colegas e voltou ao debate sobre a condição do jogador. A comparação serviu para alimentar a percepção de que a disposição para a resenha poderia variar conforme o contexto ou o alvo da provocação.
Outro episódio citado por Milly foi um vídeo publicado pelo jornalista envolvendo sua esposa em ambiente hospitalar. Ela classificou o conteúdo como misógino e afirmou que, segundo sua apuração, houve uma advertência interna, mas não uma determinação para retirar a publicação. O ponto relevante para a discussão sobre a emissora não está em transformar uma crítica pessoal em sentença, e sim em comparar o rigor adotado pela empresa diante de situações distintas envolvendo seus profissionais.
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O caso Luana Maluf e os diferentes pesos das reações internas
A comparação ganhou outro componente com Luana Maluf. Após uma brincadeira produzida no ambiente da GE TV envolvendo a conhecida provocação de que “o Palmeiras não tem Mundial”, a jornalista demonstrou descontentamento, tratou do assunto internamente e também tornou sua insatisfação pública.
Milly questionou por que esse episódio teria provocado uma conversa mais firme com os envolvidos, enquanto situações anteriores atribuídas a Formiga aparentemente tiveram consequências menores. Sua crítica sugere uma inversão de prioridades: uma provocação futebolística teria recebido tratamento institucional mais contundente do que comportamentos considerados por ela mais graves.
Há, entretanto, uma diferença importante entre os casos. Ao expor publicamente o desconforto com uma produção do próprio canal, Luana levou para fora da redação uma divergência interna. Formiga, nas situações citadas, não teria feito o mesmo. Esse elemento pode explicar uma resposta diferente da empresa, embora não elimine a discussão sobre critérios, coerência editorial e limites de comportamento.
O episódio mostra também como a GE TV ainda precisa estabelecer regras mais claras para seu próprio ambiente. Se a brincadeira com clubes, jogadores e torcidas faz parte do produto, os profissionais precisam conhecer os limites dessa linguagem antes de ocupar o espaço. Quando um integrante se sente atacado justamente por uma característica estruturante do programa, a dificuldade deixa de ser exclusivamente individual e passa a envolver definição editorial.
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Um canal entre a resenha e o jornalismo tradicional
É nesse ponto que a análise de Milly se torna mais interessante. A questão não é simplesmente descobrir se a GE TV deveria fazer mais ou menos piadas, mas entender qual produto pretende entregar. Segundo sua avaliação, há profissionais competentes no elenco, porém alguns parecem deslocados dentro do formato escolhido, alternando momentos de descontração forçada com uma seriedade que entra em conflito com a proposta de entretenimento.
A comparação inevitável é com a CazéTV. Apesar das críticas que também recebe, principalmente sobre exageros, linguagem e determinados comportamentos, o concorrente construiu uma identidade facilmente reconhecível. Humor, informalidade e interação estão incorporados ao projeto, enquanto comentaristas de perfil técnico conseguem ocupar espaço sem necessariamente reproduzir a postura dos apresentadores mais voltados à resenha.
Nomes como Rafael Oliveira, Ju Cabral e Amanda Viana foram citados como exemplos de profissionais capazes de oferecer análises mais profundas dentro desse ecossistema. O mérito do modelo está menos em fazer todos agirem da mesma maneira e mais em permitir que personalidades diferentes convivam sem destruir a identidade da transmissão.
Para a GE TV, esse talvez seja o principal desafio. Reproduzir simplesmente o estilo da CazéTV faria pouco sentido para uma empresa que já possui enorme estrutura jornalística, acesso a competições e profissionais experientes. Por outro lado, oferecer no digital uma versão ligeiramente mais informal do SporTV também reduziria o potencial de diferenciação.
Milly defende justamente um terceiro caminho: transmissões capazes de combinar inteligência, crítica, profundidade e personalidade sem depender exclusivamente da gritaria ou da obrigação de transformar qualquer momento em piada. Existe público para esse produto, especialmente entre quem não se identifica nem com a informalidade mais intensa de determinadas transmissões digitais nem com o tom tradicional da televisão esportiva.
A Copa do Mundo mostrou que audiência e identidade são discussões diferentes. Um canal pode alcançar bons números e, simultaneamente, enfrentar dificuldades para definir sua personalidade pública. No caso da GE TV, as polêmicas envolvendo seus comentaristas ganharam mais repercussão do que muitas de suas análises durante o torneio, circunstância que ajuda a explicar a cobrança por ajustes.
O projeto ainda possui tempo, estrutura e profissionais para corrigir esse percurso, mas a construção de uma linguagem própria exige decisões editoriais claras. A GE TV não precisa escolher entre jornalismo e entretenimento, tampouco transformar todos os integrantes em personagens de resenha; precisa estabelecer como essas duas dimensões podem conviver sem que os próprios contratados pareçam desconhecer qual papel devem desempenhar. É nesse equilíbrio, mais do que na simples reprodução de fórmulas concorrentes, que estará a possibilidade de o canal encontrar uma identidade reconhecível.
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