E se a adidas comprasse a Puma? Os possíveis impactos em Flamengo e Palmeiras
A simples hipótese de uma fusão entre adidas e Puma, duas gigantes globais do mercado esportivo, é suficiente para provocar efeitos imediatos no futebol brasileiro, sobretudo quando envolve Flamengo e Palmeiras. Mesmo tratada hoje como rumor distante, a ideia mobiliza análises porque toca em contratos bilionários, relações estratégicas de longo prazo e no próprio desenho do mercado de fornecimento de material esportivo no país. O que está em jogo não é apenas qual logomarca apareceria na camisa, mas como clubes de ponta seriam reposicionados dentro de um novo arranjo corporativo.
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
Atualmente, Flamengo e Palmeiras são tratados como ativos estratégicos por suas fornecedoras. O clube carioca mantém contrato com a adidas até 2029, renovado em 2024, com valores que variam entre 70 e 90 milhões de reais por temporada, podendo alcançar a casa dos 100 milhões conforme desempenho esportivo e volume de vendas. O acordo, estimado em cerca de 895 milhões de reais em valores fixos ao longo do período, é um dos maiores do futebol brasileiro e supera contratos de clubes tradicionais da Europa. Já o Palmeiras tem vínculo com a Puma até 2028, também renovado em 2024, com cifra anual próxima de 50 milhões, superior ao contrato anterior, mas ainda distante dos valores pagos pela marca alemã a clubes como o Manchester City.
Esse ponto de partida ajuda a entender por que uma eventual fusão não seria apenas uma operação administrativa. Ela mexeria diretamente na lógica de exclusividade, hierarquia e investimento que sustenta esses contratos.
Dois clubes, duas joias do portfólio
No Brasil, adidas e Puma tratam Flamengo e Palmeiras como vitrines principais, ainda que em patamares distintos. O Flamengo é o maior ativo da adidas na América Latina, tanto em alcance de torcida quanto em capacidade de vendas. O Palmeiras, por sua vez, ocupa papel semelhante dentro da estratégia da Puma, que chegou a firmar cláusulas de exclusividade na renovação do contrato alviverde antes de ampliar sua atuação no país com Bahia e Fluminense.
Essa diferença de escala é central para qualquer projeção. Em um cenário de fusão, dificilmente o Flamengo perderia protagonismo. Ao contrário, sua posição como clube de elite regional tende a ser preservada ou até fortalecida. O Palmeiras, patrocinado pela marca hoje considerada secundária dentro dessa equação, seria o elo mais sensível da cadeia.
Cenários possíveis em caso de fusão
O cenário mais conservador, e também o mais provável no curto prazo, seria a manutenção das duas marcas de forma independente, ainda que sob o mesmo guarda-chuva corporativo. Os contratos existentes seriam respeitados até o fim, com Flamengo permanecendo na adidas e Palmeiras na Puma. Esse modelo já foi visto quando a adidas adquiriu a Reebok, mantendo acordos separados por um período prolongado, e também em conglomerados como o LVMH, que administra múltiplas marcas de luxo sem unificação imediata.
Um segundo caminho seria a consolidação gradual em torno de uma marca principal, muito provavelmente a adidas, por seu maior valor global. Nesse caso, os vínculos atuais seriam cumpridos, mas as renovações poderiam direcionar clubes como o Palmeiras a migrar de fornecedor após o término do contrato, possivelmente acompanhadas de compensações financeiras. Há precedentes claros: após a Nike adquirir a Umbro, contratos relevantes foram absorvidos pela marca dominante, incluindo seleções e grandes clubes.
Existe ainda a possibilidade de criação de uma submarca ou linha específica voltada ao futebol, combinando elementos de identidade e tecnologia das duas empresas. Seria uma solução intermediária, com impacto direto na identidade visual dos uniformes e na renegociação de cláusulas. Adidas Originals, Y-3 e a própria Jordan Brand da Nike mostram que o mercado aceita esse tipo de estratégia, embora ela costume gerar resistência quando aplicada ao futebol tradicional.
LIVE COMPLETA:
Exclusividade, conflitos e disputas contratuais
Independentemente do modelo adotado, a resolução de cláusulas de exclusividade seria um dos pontos mais delicados. Muitos contratos proíbem associação direta ou indireta com marcas concorrentes. Em caso de fusão, Flamengo e Palmeiras passariam, tecnicamente, a integrar o mesmo grupo corporativo, o que poderia abrir margem para renegociações ou até disputas jurídicas, caso algum clube entenda que houve violação dos termos originais.
A história recente do futebol brasileiro mostra que esse tipo de conflito não é teórico. Em 2013, quando a adidas passou a patrocinar o Flamengo em valores superiores aos pagos a Palmeiras e Fluminense, ambos pressionaram por equiparação. Diante da negativa, optaram por sair. Anos depois, o Palmeiras se firmou com a Puma. Uma eventual fusão criaria uma ironia difícil de ignorar: o clube retornaria, ainda que indiretamente, à empresa que deixou por discordar da política de valores.
Impactos no mercado brasileiro
Uma união entre adidas e Puma concentraria ainda mais poder em um mercado já restrito. Clubes patrocinados por Nike, New Balance e outras marcas poderiam enfrentar maior dificuldade para negociar cifras competitivas, enquanto reguladores passariam a observar com atenção os efeitos sobre a concorrência. Ao mesmo tempo, a consolidação poderia abrir espaço para marcas emergentes ocuparem nichos deixados por clubes insatisfeitos com a nova configuração.
Para Flamengo e Palmeiras, o impacto não seria simétrico. O clube carioca tende a atravessar qualquer rearranjo com menor risco, protegido por seu peso comercial e simbólico. O Palmeiras, embora sólido esportivamente, estaria mais exposto a mudanças de identidade, reposicionamento e eventual perda de protagonismo dentro do portfólio.
VEJA MAIS:
-
- Lendas, heróis, ídolos ou traíras? Gerson e Gabigol: em que prateleira eles ficam na história do Flamengo?
- Esportes olímpicos do Flamengo podem ser prejudicados com nova tributação e defensores seguem em silêncio
- Imagina se fosse o Flamengo: diretor da base do Palmeiras usa cargo para prejudicar o Corinthians
CASO PREFIRA OUVIR:
Um rumor que revela muito
Hoje, não há confirmação de negociações avançadas entre adidas e Puma. Há barreiras regulatórias, estratégicas e financeiras que tornam a fusão improvável no curto prazo. Ainda assim, o exercício de imaginar seus efeitos revela muito sobre o futebol brasileiro atual. Mostra como clubes se tornaram ativos globais, como contratos de fornecimento deixaram de ser apenas acordos de camisa e como Flamengo e Palmeiras ocupam posições centrais nesse tabuleiro.
Se um dia essa fusão sair do campo das hipóteses, ela não será apenas uma mudança de logotipo. Será mais um capítulo da disputa silenciosa por poder, dinheiro e influência que define o futebol moderno.
Adidas pode comprar a Puma? O rumor, os números das empresas e o impacto no futebol e no Flamengo
Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:
—
+ Siga o Blog Ser Flamengo no Twitter, no Instagram, no Facebook e no Youtube.
Descubra mais sobre Ser Flamengo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.