Flamengo desiste da final da Libertadores? Bap encerra disputa com Estudiantes

A decisão da Conmebol de rejeitar o protesto do Flamengo contra a escalação de Marcos Rojo, do Estudiantes, na semifinal da Libertadores colocou em dúvida a continuidade da tentativa rubro-negra de chegar à final da competição. O caso, que envolve a inscrição do zagueiro argentino e uma medida provisória concedida pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS/TAS), ganhou novo capítulo em 28 de outubro de 2026, quando o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, teria tratado o assunto como encerrado durante uma reunião do Conselho de Administração do clube. A possibilidade de recurso ainda existia, mas o cenário esportivo e administrativo apontava para a manutenção da decisão que confirmou Estudiantes e Palmeiras na final.
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A decisão da Conmebol e o papel do CAS
A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou integralmente o protesto apresentado pelo Flamengo em 23 de outubro, relacionado à suposta escalação irregular de Rojo no confronto contra o Estudiantes. A entidade também recusou as medidas cautelares solicitadas pelo clube carioca. Com isso, o órgão chefe sul-americano manteve, naquele momento, a definição da final entre a equipe argentina e o Palmeiras.
O ponto central da controvérsia está na autorização provisória obtida pelo Estudiantes no CAS/TAS. Segundo a apuração publicada pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, a Conmebol considerou que o defensor estava em situação regular na data da partida porque havia uma liminar permitindo sua atuação. Essa interpretação ajuda a explicar a rejeição do protesto, embora a decisão divulgada pela comissão disciplinar não tenha apresentado uma fundamentação detalhada.
O Estudiantes havia enfrentado obstáculos para regularizar a inscrição do jogador junto à Conmebol, mas recorreu ao tribunal esportivo internacional e conseguiu autorização para utilizá-lo no segundo confronto da semifinal. A discussão passou, então, a envolver não apenas a regularidade da inscrição, mas também os efeitos jurídicos da medida provisória enquanto o mérito do caso não fosse julgado definitivamente.
A diferença é relevante: uma eventual decisão posterior contrária à inscrição de Rojo não significaria, automaticamente, que sua participação na partida anterior fosse considerada irregular. O clube argentino poderia argumentar que estava amparado pela autorização vigente naquele momento, tornando mais complexa a aplicação de uma sanção esportiva retroativa.
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Por que a disputa ainda não estava necessariamente encerrada
A rejeição do protesto pela Comissão Disciplinar não significava, por si só, que todas as etapas possíveis do caso estivessem concluídas. O Flamengo ainda poderia recorrer à Corte de Apelação da Conmebol, dentro do prazo informado de sete dias, enquanto o CAS/TAS seguia como instância central para o julgamento da regularidade da inscrição do argentino.
A análise do tribunal internacional poderia influenciar a situação de Rojo para a final, mas a eventual consequência esportiva dependeria dos desdobramentos posteriores e da atuação da própria Conmebol. Caso o CAS/TAS considerasse a inscrição irregular, ainda seria necessário avaliar como a entidade sul-americana trataria o episódio e quais sanções, se alguma, seriam cabíveis. A liminar concedida anteriormente pelo tribunal permaneceria como argumento importante na defesa do Estudiantes.
Na prática, a controvérsia reunia duas questões diferentes: a possibilidade de Rojo estar impedido de atuar em partidas futuras e a eventual punição pela participação na semifinal. A segunda hipótese era especialmente difícil para o Flamengo, porque o clube argentino poderia sustentar que cumpriu uma autorização judicial válida na ocasião. Por isso, a simples mudança de entendimento sobre a inscrição não garantiria ao Rubro-Negro a vaga na decisão nem uma vitória por 3 a 0.
Bap trata o assunto como encerrado
Durante a reunião do Conselho de Administração do Flamengo, realizada nesta quarta para discutir a revisão orçamentária do clube, Bap teria dado como encerrada a tentativa de levar o caso adiante. A informação foi divulgada por Raisa Simplicio, segundo o relato apresentado na ocasião, e indicava uma mudança de perspectiva na condução do episódio. O cenário já era desfavorável após a rejeição do protesto pela Conmebol, e a diretoria precisaria considerar as chances concretas de reverter o resultado.
A decisão de não insistir no recurso também teria relação com os efeitos práticos de manter a final indefinida. Estudiantes e Palmeiras precisavam organizar viagens, ingressos e toda a logística para a partida, assim como seus torcedores. Mesmo que o Flamengo ainda tivesse instrumentos jurídicos à disposição, a continuidade da disputa poderia prolongar uma incerteza com poucas perspectivas de alterar o desfecho esportivo.
O jornalista Mauro Cezar Pereira avaliou como correta a decisão da Conmebol de rejeitar o protesto, mas apontou um possível problema para o futebol sul-americano: a mensagem transmitida aos clubes sobre o cumprimento dos prazos de inscrição. Na avaliação dele, se um recurso ao CAS/TAS permitir a utilização provisória de um atleta fora do prazo e a participação for preservada posteriormente, outros clubes poderão tentar uma estratégia semelhante.
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O precedente para outros clubes
A discussão ganha relevância quando comparada a situações em que equipes ficaram impedidas de utilizar reforços por causa dos prazos regulamentares. O Vasco, por exemplo, enfrentou restrições para inscrever contratações na Copa Sul-Americana durante a temporada de 2026. Em 2017, o próprio Flamengo não pôde contar com Diego Alves na competição continental porque o goleiro chegou após o período de inscrição aplicável à disputa.
Os casos não são necessariamente idênticos, já que a situação do Estudiantes envolve uma decisão provisória do tribunal esportivo internacional. Ainda assim, a comparação evidencia a preocupação com a aplicação uniforme dos regulamentos: se um clube consegue uma autorização excepcional na Justiça Desportiva, é preciso esclarecer até onde vão seus efeitos e como a entidade organizadora deve proceder quando o mérito é julgado posteriormente.
A Conmebol, por sua vez, precisava conciliar a aplicação de suas regras com a segurança jurídica dos clubes e a organização da competição. A preservação da final pode ser uma preocupação administrativa legítima, mas não deveria substituir uma fundamentação clara sobre a interpretação dos regulamentos. Sem esse esclarecimento, o caso corre o risco de alimentar dúvidas sobre a previsibilidade das decisões e sobre o tratamento dado a situações semelhantes.
Para o Flamengo, o caminho até a final da Libertadores ficou ainda mais distante depois da rejeição do protesto. A possibilidade de recurso não assegurava qualquer mudança, e o argumento de que Rojo atuou amparado por uma liminar representava um obstáculo importante à pretensão rubro-negra. O episódio, portanto, não se resume à perda de uma disputa nos tribunais: também levanta questionamentos sobre os limites das medidas provisórias, a aplicação dos prazos de inscrição e a necessidade de critérios consistentes nas competições organizadas pela Conmebol.
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