Flamengo diz que Gerson está desesperado, e Marcão acusa clube de armação

O conflito entre Flamengo e Gerson ganhou novo capítulo na Justiça e passou a envolver também acusações públicas feitas por Marcão, pai do jogador. Em manifestação no processo que cobra R$ 42,75 milhões do atleta, o clube afirmou que Gerson e seus representantes adotam medidas para protelar o desfecho da ação. Do outro lado, Marcão classificou a cobrança como uma “armação” e negou que ele ou o filho tenham recebido os R$ 42 milhões apontados na discussão.
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A disputa judicial está relacionada à saída de Gerson para o Zenit, da Rússia, e a um contrato de imagem firmado entre o jogador e o Flamengo meses antes da transferência. O Rubro-Negro sustenta que a rescisão unilateral provocou prejuízo ao clube e que a indenização está prevista contratualmente. A defesa do meio-campista apresenta uma versão diferente sobre as circunstâncias que levaram ao rompimento.
A acusação do Flamengo
Segundo documentos aos quais a ESPN afirma ter tido acesso, o Flamengo classificou como uma “tentativa desesperada de protelar o desfecho” os pedidos apresentados por Gerson e seu pai durante o processo. Entre as solicitações estava uma perícia grafotécnica em uma carta manuscrita de desligamento.
O documento tem peso na argumentação do clube porque contém um pedido de demissão atribuído a Gerson. A defesa do jogador havia afirmado anteriormente que ele foi orientado pelo próprio Flamengo a escrever e assinar a carta para viabilizar sua transferência ao Zenit. Posteriormente, solicitou que o documento fosse submetido a uma perícia capaz de verificar aspectos relacionados à autoria do manuscrito, à assinatura e à forma como o texto foi preenchido.
Para o Flamengo, o pedido não faria sentido diante do reconhecimento anterior de que Gerson assinou o documento. O clube classificou a iniciativa como uma tentativa de prolongar uma discussão que, em sua avaliação, já estaria suficientemente esclarecida.
A defesa também solicitou perícia contábil em contratos de publicidade. O Rubro-Negro argumentou que esses documentos não seriam relevantes para determinar a indenização prevista no vínculo firmado com o atleta.
Segundo a informação apresentada sobre o processo, a Justiça rejeitou os pedidos de perícia grafotécnica e contábil, considerando desnecessária a produção dessas provas diante do entendimento de que a rescisão unilateral pelo jogador não era objeto de controvérsia.
De onde vêm os R$ 42,75 milhões
A cifra que aparece no processo não representa, segundo a argumentação do Flamengo, um valor entregue antecipadamente a Gerson ou a Marcão. Trata-se da indenização que o clube busca receber por causa da ruptura do contrato de imagem.
A tese rubro-negra é de que o acordo havia sido firmado como parte de um planejamento de longo prazo e que a transferência para o Zenit frustrou as expectativas estabelecidas. O clube afirma ter sofrido prejuízo e cobra R$ 42,75 milhões com base nas obrigações previstas no contrato.
A diferença é relevante porque Marcão, ao comentar o caso publicamente, afirmou que a família não recebeu os R$ 42 milhões. A declaração, portanto, responde a uma interpretação que não corresponde à própria natureza da cobrança apresentada pelo Flamengo.
O clube não sustenta que tenha depositado essa quantia para Gerson e depois pedido sua devolução. O que está em discussão é uma indenização decorrente do rompimento contratual.
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Marcão fala em “armação”
A reação do pai de Gerson elevou novamente a temperatura do caso. Em entrevista, Marcão afirmou que o processo seria uma armação de pessoas que estariam dentro do Flamengo e negou que o jogador tivesse recebido os R$ 42 milhões.
Ele também contestou a maneira como a negociação de saída foi conduzida e afirmou que havia uma proposta do Zenit pelo jogador. Na versão apresentada pelo empresário, o problema não estaria apenas nos valores envolvidos, mas na postura adotada pelo clube durante a negociação.
Marcão também voltou a falar sobre a tentativa de valorização de Gerson durante sua passagem pelo Flamengo. Segundo ele, o desempenho do jogador teria criado a expectativa de uma revisão contratual que não aconteceu. O assunto já havia provocado discussões públicas antes da transferência.
Esse histórico ajuda a explicar por que o rompimento não ficou restrito às conversas entre dirigentes, jogador e representantes. A relação já apresentava sinais de desgaste quando as negociações com o Zenit avançaram.
A proposta do Zenit e a saída
Antes da transferência, o Zenit apresentou uma proposta que, conforme relatado no material do caso, previa inicialmente € 18 milhões, pagos de maneira parcelada, com possibilidade de chegar a € 25 milhões por meio de bônus.
A estrutura da oferta também gerou questionamentos. Entre os adicionais havia metas esportivas relacionadas ao desempenho do clube russo, incluindo uma possível classificação para a Liga dos Campeões. Como equipes russas estavam impedidas de disputar competições europeias, a composição desses bônus passou a ser um dos elementos controversos da negociação.
O Flamengo acabou recebendo R$ 160 milhões pela venda do jogador, segundo a informação apresentada no processo. Ainda assim, o clube sustenta que a operação não eliminou o prejuízo decorrente da quebra do contrato de imagem.
É justamente nesse ponto que as duas versões se chocam. Para o Flamengo, a venda não afasta a obrigação contratual assumida anteriormente. Para Gerson e Marcão, a transferência foi consensual e a cobrança posterior representa uma tentativa do clube de responsabilizá-los por uma operação que teria sido negociada entre as partes.
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Uma relação que mudou
A disputa judicial acontece depois de uma passagem que havia recolocado Gerson em posição de destaque no Flamengo. O jogador retornou ao clube, conquistou títulos e recuperou uma relação muito forte com a torcida. A saída para o Zenit, entretanto, produziu um desgaste que foi muito além do campo.
As manifestações de Marcão também contribuíram para ampliar a repercussão do episódio. Ao fazer acusações contra dirigentes e questionar publicamente a condução do caso, o pai do atleta passou a ocupar um espaço importante na narrativa sobre a transferência.
Isso não significa que todas as declarações de Marcão possam ser automaticamente atribuídas a Gerson. O jogador é parte do processo e possui responsabilidade pelas próprias decisões profissionais, enquanto seu pai atua como representante e interlocutor em diferentes momentos da carreira.
Ao mesmo tempo, é difícil separar completamente os dois personagens diante da exposição pública adotada desde o início da crise. Cada nova declaração alimenta uma disputa que já deixou de ser apenas financeira.
O processo ainda terá de definir as responsabilidades de cada parte. Por enquanto, há duas narrativas claramente estabelecidas: o Flamengo afirma que Gerson tenta retardar uma cobrança que considera legítima e devida, enquanto Marcão acusa o clube de ter construído uma “armação” contra seu filho. No centro dessa disputa estão R$ 42,75 milhões, um contrato de imagem, uma carta de desligamento e uma transferência para o futebol russo que transformou uma relação de idolatria em uma batalha jurídica.
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