Flamengo pode cobrar mais da Adidas? Real Madrid recebe 8,7 vezes mais!

O Flamengo tem argumentos comerciais para reivindicar um contrato mais vantajoso com a Adidas quando as partes voltarem a discutir a parceria, cujo vínculo atual termina em dezembro de 2029. Uma comparação publicada pelo perfil Flafocalizando expõe a diferença entre a remuneração rubro-negra e os valores atribuídos a grandes clubes europeus, com destaque para o Real Madrid, que receberia cerca de 8,7 vezes mais. Além de um reajuste financeiro, a discussão envolve a expansão internacional das vendas, a revisão de royalties e a criação de metas comerciais que permitam ao clube transformar sua força de marca em receitas maiores.
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O contrato atual e a diferença para o Real Madrid
A parceria entre Flamengo e Adidas passou por uma revisão substancial em 2024, quando as condições do acordo foram alteradas e o vínculo foi estendido até dezembro de 2029. Aprovado pelo Conselho Deliberativo por 159 votos favoráveis e duas abstenções, o contrato estabeleceu uma estrutura de remuneração composta por parcelas fixas, verbas para ações de marketing e bônus vinculados ao desempenho esportivo das equipes masculina e feminina.
Os números apresentados indicam uma receita anual na faixa de R$ 70 milhões, com possibilidade de alcançar R$ 90 milhões conforme os componentes variáveis. A comparação divulgada pelo Flafocalizando utiliza uma estimativa de R$ 80 milhões como referência para o acordo rubro-negro e aponta que o Real Madrid receberia aproximadamente R$ 700 milhões por temporada. Os valores dependem das condições contratuais consideradas e da conversão cambial utilizada, mas evidenciam a distância entre os dois acordos.
O clube espanhol renovou sua parceria com a fornecedora alemã até 2034, em um contrato cujo valor foi estimado em 120 milhões de euros por temporada. A cifra o coloca em posição de destaque no mercado internacional de material esportivo, acima dos valores atribuídos a Manchester United, Arsenal, Liverpool, Bayern de Munique e Juventus. A comparação, entretanto, não deve ignorar as diferenças entre os mercados, o alcance internacional das marcas e os modelos de exploração comercial de cada equipe.
O Flamengo aparece entre os contratos mais relevantes da Adidas, mas ainda distante dos valores atribuídos aos principais parceiros europeus. Na relação apresentada por Luiz Carlos Largo, o vínculo rubro-negro estaria avaliado em aproximadamente 14 milhões de euros anuais, abaixo dos números associados a Newcastle, Benfica e Aston Villa. Como não se trata de uma tabela oficial auditada pela fornecedora, esses valores devem ser entendidos como estimativas de mercado, e não como dados contratuais integralmente confirmados.
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O Flamengo cresceu, mas o contrato precisa acompanhar?
A discussão ganha força diante da dimensão comercial alcançada pelo clube nos últimos anos. A força da torcida, a presença recorrente em decisões continentais e o volume de exposição proporcionado pelas competições nacionais e internacionais fazem do Flamengo um ativo importante para a Adidas na América do Sul. O desempenho de vendas também sustenta a reivindicação por condições mais favoráveis, embora o tamanho da torcida, isoladamente, não determine quanto uma empresa pode ou deve pagar.
Um exemplo recente foi o lançamento da coleção associada à terceira camisa de 2025. Segundo números apresentados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, a iniciativa registrou o maior lançamento da parceria em termos de investimento e vendas. O resultado reforça o potencial comercial da marca rubro-negra e mostra que há espaço para explorar produtos além dos uniformes tradicionais.
A relação, porém, não se resume ao valor fixo pago pela fornecedora. Na revisão de 2024, o Flamengo ampliou possibilidades de exploração comercial, incluindo colaborações com outras marcas. Essa abertura favorece o desenvolvimento de coleções premium, peças casuais e produtos licenciados que podem gerar receitas adicionais. A marca própria do clube, a Gávea, também faz parte desse movimento de diversificação.
Há, portanto, uma particularidade importante na negociação: um contrato com remuneração fixa inferior à de determinados clubes europeus pode oferecer outras oportunidades comerciais. Para avaliar se o Flamengo recebe menos do que deveria, é necessário considerar o conjunto de direitos, as condições de distribuição, os percentuais sobre vendas e as possibilidades de desenvolver produtos fora do catálogo tradicional da Adidas.
Distribuição internacional é uma oportunidade a explorar
Um dos pontos centrais da proposta apresentada pelo Flafocalizando é a expansão das vendas de produtos oficiais em mercados internacionais. O argumento é que o Flamengo não deveria depender apenas da comercialização no Brasil, mas construir uma operação capaz de alcançar torcedores que vivem no exterior. A presença de milhões de brasileiros em países como Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e Japão representa uma oportunidade potencial, embora o tamanho dessa comunidade não corresponda automaticamente ao número de compradores.
O Real Madrid oferece uma referência de estrutura comercial internacional. Além de suas lojas físicas, o clube trabalha com operações digitais e distribuição de produtos em diferentes mercados. A venda por marketplaces amplia o alcance sem exigir, necessariamente, uma rede extensa de estabelecimentos próprios em cada país.
Nesse contexto, a Amazon surge como uma possibilidade para ampliar a disponibilidade de camisas e outros produtos do Flamengo em mercados onde a Shopee, atual parceira comercial do clube em determinadas frentes, possui presença mais limitada. A escolha dos canais, contudo, precisa considerar custos, logística, tributação, concorrência e capacidade de atender pedidos internacionais. Apenas colocar o uniforme em uma plataforma não garante vendas relevantes: é preciso investir em divulgação, disponibilidade de estoque e uma estratégia consistente de distribuição.
O Flamengo já possui uma rede expressiva de lojas oficiais no Brasil. Os números apontam 183 unidades em 25 estados e no Distrito Federal, além de uma operação em Orlando, nos Estados Unidos. Essa estrutura demonstra capacidade de expansão comercial, mas o avanço internacional exige um planejamento específico para cada mercado, com atenção aos hábitos de consumo e aos custos de entrega.
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O que o Flamengo poderia exigir em uma renovação
Uma futura negociação com a Adidas poderia incluir metas obrigatórias de distribuição internacional, presença em marketplaces de mercados prioritários, uma loja virtual com entrega no exterior e relatórios auditáveis sobre o desempenho comercial por país. A proposta também prevê metas de vendas com revisão de valores caso os objetivos sejam alcançados, além de royalties escalonados para estimular a expansão fora do Brasil.
Essas medidas ajudariam a mudar o foco da discussão. Em vez de negociar apenas um aumento na remuneração anual, o Flamengo poderia buscar mecanismos para ampliar o mercado consumidor de seus produtos e participar de forma mais transparente dos resultados gerados pela própria marca. O clube precisaria, entretanto, definir metas realistas, estabelecer responsabilidades e garantir que os investimentos necessários à expansão fossem compatíveis com o retorno esperado.
A política de royalties também merece atenção. Percentuais elevados podem aumentar a receita por unidade vendida, mas precisam ser equilibrados com a margem dos varejistas e com a capacidade de distribuição. A redução de royalties pode favorecer a competitividade dos produtos, enquanto um modelo escalonado permitiria ao Flamengo capturar ganhos adicionais conforme as vendas internacionais crescessem.
Por enquanto, não há confirmação pública de uma renegociação formal em andamento. Em setembro de 2025, o clube negou que estivesse discutindo um novo acordo com a Adidas. Isso não impede que as partes retomem as conversas antes do encerramento do vínculo, mas não há base para tratar as propostas de expansão internacional como exigências já apresentadas à fornecedora.
O desafio do Flamengo é transformar sua relevância esportiva e comercial em um contrato mais vantajoso, sem limitar a negociação a uma comparação nominal com os gigantes europeus. O Real Madrid tem uma operação global consolidada, mas o clube carioca pode fortalecer sua própria presença internacional com distribuição eficiente, licenciamento, produtos diferenciados e transparência sobre as vendas. Uma renovação bem estruturada deverá combinar remuneração, direitos comerciais e metas de crescimento, de modo que o potencial da marca rubro-negra seja convertido em receitas concretas.
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