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GE TV zoa Flamengo e reacende polêmica sobre reação de Luana Maluf a piada com Palmeiras

Jornalista palmeirense da GE TV leva advertência da Globo após zoeira com Palmeiras sem Mundial e expõe crise entre humor e jornalismo

A GE TV voltou a usar o humor para brincar com clubes brasileiros e reacendeu uma discussão interna que havia ganhado força após a reação de Luana Maluf a uma publicação envolvendo o Palmeiras. Desta vez, o alvo foi o Flamengo, em postagens sobre as negociações frustradas por Thiago Almada e Luiz Henrique, e a diferença de tratamento gerou uma sequência de cobranças nas redes sociais. O ponto central não está nas piadas, que fazem parte da proposta de entretenimento do canal, mas na dúvida levantada por torcedores: por que uma brincadeira com o clube paulista provocou reação pública, retirada de conteúdo e crise nos bastidores, enquanto provocações semelhantes contra o Rubro-Negro seguem normalmente?


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O episódio anterior envolveu uma publicação que utilizava Flaco López e a frase “Palmeiras não tem Mundial”. Luana Maluf, identificada publicamente com o clube alviverde, demonstrou forte incômodo, levou a insatisfação internamente e depois tratou do caso em suas redes. A postagem acabou sendo apagada, e a situação ganhou proporção justamente porque a GE TV constrói parte de sua linguagem sobre a mistura entre informação, personalidade e entretenimento.

A discussão voltou agora porque o perfil publicou diferentes provocações dirigidas ao Flamengo sem qualquer sinal de tratamento semelhante. Para quem acompanhou os dois momentos, a questão deixou de ser se uma emissora esportiva pode fazer humor com um time e passou a ser se o critério utilizado vale igualmente para todos.

Almada, Luiz Henrique e o Flamengo viram alvo das brincadeiras

Uma das publicações reproduzia uma espécie de anúncio de Thiago Almada com a palavra “cancelado”, brincando com a possibilidade de o jogador reforçar o Flamengo. Outra dizia que o “ADM já tinha imaginado a meiuca do Flamengo voando”, aproveitando a expectativa criada em torno da negociação.

A sequência continuou com uma montagem envolvendo Zeca Pagodinho. A legenda afirmava que José Boto já havia levado um “não” de Almada e Luiz Henrique e perguntava, em tom de humor, se o próximo alvo seria o cantor. A piada partia da associação com o Botafogo, embora Zeca seja torcedor do clube, e não um ex-integrante da equipe.

Houve ainda uma imagem com jogadores do Botafogo de 2024 vestindo a camisa rubro-negra e a provocação: “Botafogo de 2024 ou Flamengo de 2026?”. A publicação sugeria que, depois das tentativas envolvendo Almada e Luiz Henrique, o clube poderia buscar outros integrantes daquele elenco.

As brincadeiras, isoladamente, estão dentro do repertório tradicional do futebol. Negociações frustradas, provocações entre rivais e memes fazem parte da cultura esportiva há décadas e hoje encontraram nos perfis digitais dos veículos uma linguagem própria. O problema apontado pelos críticos surgiu exatamente quando esse tratamento foi comparado ao episódio anterior com o Palmeiras.

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Torcedores cobram Luana Maluf após postagens

Os comentários rapidamente passaram a mencionar Luana Maluf. Usuários perguntaram se ela pediria a retirada das novas publicações, enquanto outros marcaram também Bruno Formiga para questionar se haveria alguma reação semelhante àquela registrada quando o alvo foi o Palmeiras.

Uma das mensagens resumiu a cobrança: “Vai ter post para defender o Flamengo também ou só vale quando é com seu time?”. Outro comentário questionou se Luana “vai pedir para derrubar esse post também”. Houve até flamenguista dizendo ter gostado das provocações, mas perguntando por que o critério aplicado anteriormente não deveria valer nessa situação.

Essa distinção é importante. O debate não precisa caminhar para a defesa de que a GE TV deixe de brincar com o Flamengo. Pelo contrário: se o entretenimento está incorporado ao formato, zoações sobre negociações, derrotas, títulos, rivalidades e personagens podem fazer parte da linguagem editorial.

A questão é outra. Quando uma profissional reage de maneira contundente porque seu próprio clube foi alvo e a publicação desaparece, cria-se uma referência. Depois disso, qualquer provocação semelhante dirigida aos rivais inevitavelmente será confrontada com aquela decisão.

“Palmeiras não tem Mundial” e a cultura da provocação

A frase que provocou o episódio original está longe de ser novidade. “Palmeiras não tem Mundial” virou uma das provocações mais conhecidas do futebol brasileiro, assim como o Fluminense foi durante muitos anos chamado de “Virgem das Américas” antes da Libertadores de 2023 e o Corinthians conviveu por décadas com brincadeiras relacionadas à ausência de uma Libertadores até conquistar o torneio em 2012.

Esse tipo de rivalidade faz parte da linguagem popular do futebol. O torcedor leva a provocação para o trabalho, para grupos de mensagens, arquibancadas e redes sociais. Quando um veículo decide incorporar humor ao seu conteúdo, assume também o risco de brincar com símbolos, traumas e provocações tradicionais de diferentes torcidas.

Por isso, o incômodo maior não está necessariamente na existência das postagens contra o Flamengo. A cobrança surge quando o público percebe que determinado clube parece receber proteção especial contra uma linguagem aplicada normalmente aos demais.

É nesse ponto que a reação de Luana Maluf ganha relevância editorial. Não porque uma jornalista esteja impedida de torcer ou de se incomodar com uma publicação, mas porque sua posição dentro do próprio veículo amplia as consequências de uma manifestação pública. Se uma reclamação interna ajuda a retirar uma brincadeira sobre o time pelo qual a profissional torce, a percepção de conflito entre identidade pessoal e critério editorial torna-se inevitável.

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O problema é o critério, não a zoeira

A análise também precisa evitar um salto que os fatos, sozinhos, não permitem. As postagens não comprovam a existência de uma orientação institucional da grande mídia para proteger o Palmeiras, tampouco demonstram que profissionais atuem de forma coordenada em favor do clube. O que o episódio oferece é um exemplo concreto de diferença de reação que merece ser discutida.

A GE TV pode brincar com o Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Vasco ou qualquer outro clube se essa é a linguagem que decidiu adotar. O que se torna difícil de sustentar é um ambiente em que a piada seja aceita até atingir o time de alguém com espaço suficiente para questioná-la internamente.

Também seria equivocado exigir agora que as publicações sobre o Flamengo fossem apagadas. Isso apenas reproduziria o problema. O melhor desfecho seria exatamente o contrário: estabelecer uma régua clara, compreender que humor esportivo inevitavelmente provocará desconforto e separar o gosto pessoal de decisões editoriais.

A cobrança feita pelos torcedores nasce justamente dessa contradição. Muitos não pedem proteção ao Flamengo, mas querem saber por que aquilo que foi considerado inadequado quando envolveu o Palmeiras parece plenamente aceitável quando o alvo muda. Enquanto essa pergunta permanecer sem uma resposta convincente, cada novo meme publicado pela GE TV servirá para recuperar um episódio que poderia ter terminado como uma simples brincadeira de futebol.

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