Histeria

Histeria

– Boa tarde! Sente-se, por favor.
– Boa tarde, doutor.
– Então, o que está te incomodando?
– Olha, doutor, sinto umas dores na boca do estômago, calafrios e, constantemente, tenho surtos de histeria.
– Como assim, histeria?
– Histeria… Sei lá, vontade de gritar, de arrancar os cabelos, sair correndo por aí. Às vezes tenho visões muito loucas, sabe como é?
– Humm… Quando começou a sentir esses sintomas?
– Já senti outras vezes, mas essa crise começou… deixe-me ver… bem, talvez 06 ou 07 de novembro…
– Faz uso de algum tipo de entorpecente, drogas?
– Drogas, doutor? Meu negócio é bem mais forte, bem mais complicado!
– Como o quê, por exemplo?
– Sou Flamengo.
– Querida, eu não opero milagres. Seu caso é recorrente e não tem cura. Recomendo que aguente mais um pouco e aguarde até a próxima crise.
– Mas nenhum calmante, nenhum chá?
– Sim, um chá… curar não cura, mas alivia. Chá de brocada.

Desde o princípio eu apostava nesse Fla na Copa do Brasil, ainda que os defeitos fossem gritantes. Aqui estamos: é final, e eu estou um turbilhão, sentindo uma imensa gama de sentimentos, entre eles confiança e medo. No meu caso, não é medo da zebra, nem do Atlético das cores bonitas lá do Sul. É medo pura e simplesmente dos nossos próprios mulambos. Medo de que o Manto pese demais. Da instabilidade própria da raça humana. Por outro lado, eu olho esse Manto exalando potência e confio que, em caso de uma pane nervosa, ele jogue por si só. Isso nem sempre ocorre, mas, quando ocorre, faz valer a pena estar vivo para sentir aquilo que se desvela aos nossos olhos.

O peito descompassa, histeria, calafrios. Só de imaginar a noite de amanhã, o corpo sente. Não há médicos, não há religião. É pagar para ver, ter peito para aguentar a pressão. Mesmo aquele que vai acompanhar do seu sofá terá adrenalina armazenada para o resto do ano. É o medo de perder, é a ansiedade de conquistar. E, em alguns casos, ensaiar o que dizer e a quem dizer em caso de uma catástrofe. Em raríssimas situações, talvez dê para se poupar das zoações em caso de mau resultado, mas de forma alguma há como se esquivar dos sentimentos. Ninguém quer tentar dormir com gritos entalados na garganta, ninguém quer provar da frustração. Portanto, não é fácil nem imaginar uma tragédia no Maraca. Que os antis engulam suas pragas, e o Fla honre as nossas expectativas!

Bruna Uchôa
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