A faixa de protesto contra a Medida Provisória que proíbe a atuação de casas de apostas no país, exibida no Maracanã durante o clássico entre Flamengo e Fluminense, teria sido financiada pela Betano, patrocinadora máster do Rubro-Negro. A informação foi publicada pelo jornalista Gilmar Ferreira, que também apontou um possível desconforto da Shopee, responsável pelo patrocínio das mangas da camisa flamenguista, com a campanha. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a participação dos patrocinadores na mobilização e os impactos comerciais para o clube, que discute a possível renovação do vínculo com a plataforma de comércio eletrônico, válido até dezembro.
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
Shopee fora da camisa em dois jogos
A marca da Shopee não apareceu nas mangas do uniforme do Flamengo nas partidas contra Santos, na Vila Belmiro, e Fluminense, no Maracanã. Segundo Gilmar Ferreira, a ausência ocorreu porque o clube cedeu o espaço à campanha contrária à MP das Bets, com a mensagem “Proibir não é proteger”. A expectativa era de que a marca voltasse ao uniforme no confronto com o Estudiantes, na Argentina, pela Libertadores, já que a exposição da campanha poderia não se repetir naquela partida.
De acordo com a publicação, a iniciativa de utilizar o espaço publicitário teria partido da Betano, que também teria financiado a faixa estendida nas arquibancadas do Maracanã durante o Fla-Flu. Até o momento, não havia notificação oficial ao Flamengo por uma possível quebra contratual. A informação, portanto, aponta para um desconforto comercial, mas não confirma uma ruptura entre o clube e a Shopee.
Os valores envolvidos ajudam a dimensionar a importância do tema. Conforme os números apresentados por Gilmar Ferreira, o contrato da Betano renderia aproximadamente R$ 268 milhões anuais pelo patrocínio máster, além de cerca de R$ 30 milhões relacionados à publicidade em placas de LED e espaços próximos ao gramado nos jogos com mando rubro-negro. Já a Shopee pagaria aproximadamente R$ 13 milhões por ano para estampar sua marca nas mangas da camisa.
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
A faixa e a repercussão política
A mensagem exibida no Maracanã, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, provocou críticas e foi interpretada por parte do público como um posicionamento político das torcidas do Flamengo. A polêmica aumentou nas redes sociais, onde usuários associaram a faixa às organizadas próximas do setor em que ela foi colocada.
A discussão, porém, exige distinguir a iniciativa específica da faixa da mobilização contra a MP das Bets. A campanha envolve clubes de diferentes estados, e as formas de participação variam: algumas equipes utilizam espaços nos uniformes, enquanto outras recorrem às placas publicitárias. Assim, a presença da mensagem no Maracanã não significa, por si só, que o Flamengo tenha organizado sozinho o movimento ou que todas as torcidas envolvidas compartilhem uma mesma posição política.
A informação de que a Betano teria custeado a faixa acrescenta uma dimensão comercial à controvérsia. Ainda assim, a responsabilidade pela organização e pelo conteúdo da manifestação deve ser analisada com cautela, sem atribuir a ação a todos os torcedores presentes no estádio.
O possível impacto nos contratos do Flamengo
A situação ocorre em um momento delicado para a relação com a Shopee, cujo contrato termina em dezembro e pode ser renovado. Segundo a reportagem de Gilmar Ferreira, a política interna da plataforma restringe a promoção de apostas em suas transmissões, o que ajuda a explicar o possível desconforto com a campanha promovida pela patrocinadora máster do Flamengo.
O episódio também chama atenção pelo peso das receitas comerciais no orçamento rubro-negro. A arrecadação com publicidade no uniforme, no calção e em outras propriedades da camisa foi estimada em cerca de R$ 470 milhões, com mais da metade desse montante associada à cota máster. Nesse cenário, preservar o relacionamento com os parceiros é relevante, sobretudo diante das mudanças que podem ocorrer nas regras de publicidade das casas de apostas.
Mesmo que as empresas continuem autorizadas a operar, eventuais restrições à divulgação de seus serviços podem alterar o valor dos contratos e exigir renegociações. O efeito não se limitaria ao Flamengo: clubes que dependem de receitas provenientes desse setor também precisariam rever estratégias comerciais.
LEIA MAIS:
CASO PREFIRA OUVIR:
O desafio entre mobilização e compromissos comerciais
A campanha contra a MP das Bets envolve um debate que ultrapassa os interesses de um único clube. A regulamentação do setor reúne questões econômicas, publicitárias e de saúde pública, mas a forma como cada equipe participa do movimento pode produzir consequências específicas, de acordo com seus contratos e parceiros.
Para o Flamengo, o desafio é conciliar sua participação na mobilização com os compromissos comerciais já assumidos. A informação de que a Betano teria financiado a faixa no Maracanã e tomado a iniciativa de utilizar o espaço publicitário ajuda a explicar o contexto do episódio, mas não significa que a relação com a Shopee tenha sido rompida ou que exista uma quebra contratual formalmente reconhecida.
O caso também reforça a necessidade de separar a campanha coletiva da interpretação de que o protesto teria sido uma ação exclusiva do Flamengo. Com a renovação da Shopee no horizonte e possíveis mudanças regulatórias pela frente, a diretoria precisará acompanhar os desdobramentos e avaliar como preservar as receitas e a confiança dos parceiros sem ignorar o debate sobre o futuro da publicidade de apostas no futebol brasileiro.
Flamengo e Shopee lançam campanha com cupom de R$ 50 para torcida do futebol feminino
—
+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

