Jornalista palmeirense passa vergonha ao defender gramado sintético e faz fake news sobre o Flamengo
O debate sobre gramados sintéticos ganhou um novo capítulo nos últimos dias, não pelo avanço técnico da discussão, mas pela desinformação propagada nas redes sociais. Um jornalista identificado publicamente como torcedor do Palmeiras acusou o Flamengo de ter afirmado, em nota oficial, que a Uefa proíbe jogos em gramado sintético na Champions League. A declaração é falsa, não encontra respaldo em nenhum comunicado do clube carioca e ignora, de forma conveniente, o contexto técnico e regulatório que envolve o uso desse tipo de piso no futebol mundial.
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A publicação ocorreu enquanto jogos da Liga dos Campeões eram exibidos na televisão, alguns deles disputados em estádios com gramado artificial por razões climáticas extremas. A partir disso, o jornalista tentou sustentar que o Flamengo “mentiu” ao defender a padronização dos campos no Brasil, usando como base uma exceção prevista em regulamentos internacionais para países de clima ártico ou continental severo. Ao fazer isso, misturou conceitos, suprimiu trechos importantes das notas oficiais rubro-negras e construiu uma narrativa que não se sustenta nos fatos.
Quem é o autor da acusação e o que foi dito
O responsável pela postagem se apresenta como jornalista e produtor de conteúdo ligado ao Palmeiras, embora também aborde outros clubes de forma esporádica. Em sua publicação, afirmou que um “time brasileiro” teria lançado nota oficial dizendo que não existiam jogos em gramado sintético nos principais campeonatos do mundo, sugerindo que a Champions League desmentiria essa tese.
O problema é simples e objetivo: o Flamengo jamais afirmou isso. Em nenhuma de suas manifestações o clube disse que a Uefa proíbe, de forma absoluta, o uso de gramado sintético na Champions. Tampouco declarou que nunca houve jogos da competição nesse tipo de piso. A acusação parte de uma leitura distorcida, ou deliberadamente mal-intencionada, do conteúdo divulgado pelo clube.
O contexto ignorado de forma conveniente
Existem jogos da Champions League em gramado sintético? Sim, existem. Mas todos eles estão amparados por exceções muito específicas, criadas para países de frio extremo, como Noruega e Cazaquistão, onde a manutenção de grama natural durante grande parte do ano é inviável. Estádios como o Astana Arena, no Cazaquistão, utilizam piso artificial por necessidade climática, não por opção técnica ou preferência esportiva.
A própria Uefa reconhece essas exceções, que não se aplicam a países de clima temperado ou tropical. O uso do sintético nesses casos não representa um modelo a ser seguido, mas uma solução emergencial para realidades geográficas muito particulares. Transformar exceção em regra é o atalho retórico usado para defender o indefensável.
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O que o Flamengo disse, de fato
A primeira manifestação oficial do Flamengo sobre o tema ocorreu em 8 de dezembro, quando o clube protocolou na CBF uma proposta de padronização dos gramados no futebol brasileiro. O documento, baseado em um estudo técnico de 25 páginas, foi elaborado com apoio de consultores ligados à FIFA e não surgiu como ação isolada ou intempestiva.
Desde a eleição de Samir Xaud, a CBF formou grupos de trabalho para discutir pautas estruturantes, como calendário, fair play financeiro e qualidade dos gramados. Os clubes foram convidados a contribuir, e o Flamengo apresentou um estudo técnico dentro desse processo.
Na nota, o clube afirma que os gramados artificiais não oferecem condições adequadas para o futebol de alto rendimento nas principais ligas europeias. O texto é claro ao se referir às ligas de elite, como Premier League, La Liga, Bundesliga e Serie A italiana. Em nenhuma linha há menção a campeonatos de países de clima extremo ou a proibição absoluta na Champions League.
Três dias depois, diante da onda de desinformação, o Flamengo publicou um conteúdo no formato “Fato ou Fake”, reforçando que as principais ligas europeias exigem grama natural na primeira divisão e destacando a tendência global de restrição ao uso de microplásticos, inclusive com diretrizes da União Europeia para banimento desse material até 2031.
A terceira nota e a posição dos atletas
No dia seguinte, o clube voltou a se manifestar ao saudar a decisão de equipes da Série A de suspender a instalação de novos gramados sintéticos. Nesse texto, o Flamengo reforça a centralidade da opinião dos atletas, citando manifestações públicas de jogadores como Neymar, Gabigol e Thiago Silva, todos contrários ao piso artificial em competições de alto nível.
A nota afirma, com todas as letras, que o gramado natural é o único reconhecido mundialmente como adequado para o futebol de alta performance, tanto do ponto de vista técnico quanto da saúde dos jogadores. Também deixa claro que a liberação do sintético em situações extremas não equivale a uma chancela para sua adoção irrestrita.
Em nenhum momento o Flamengo diz que a Uefa ou a FIFA “proíbem” o sintético em termos absolutos. O clube fala em inadequação esportiva, não em ilegalidade. A diferença é básica, mas foi ignorada na tentativa de criar uma acusação.
Exceção não é argumento técnico
A defesa feita pelo jornalista palmeirense se apoia integralmente na exceção. Usa jogos disputados em cidades cobertas de neve, em temperaturas negativas, para justificar a adoção do gramado sintético em um país tropical, com calendário extenuante e histórico de problemas de manutenção.
É a mesma lógica que ignora o fato de que a Holanda, referência usada pelo Palmeiras para implantar seu piso artificial, decidiu eliminar completamente os gramados sintéticos da elite nacional após amplo debate técnico sobre saúde dos atletas, temperatura do campo e qualidade do jogo. O processo de transição foi concluído em 2025.
Se até países de clima frio abandonaram o modelo, o argumento de modernidade cai por terra.
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Informação distorcida não é opinião
O fato de o jornalista ser palmeirense não invalida automaticamente seu trabalho. Clubismo, por si só, não descredibiliza ninguém. O problema surge quando a análise abandona os fatos, ignora documentos públicos e atribui a terceiros declarações que nunca foram feitas.
O Flamengo não afirmou que é proibido jogar a Champions League em gramado sintético. Não disse que nunca houve partidas assim. O clube falou, de forma técnica e fundamentada, sobre as principais ligas do mundo e sobre o padrão de excelência que se espera do futebol profissional.
Transformar isso em “fake news do Flamengo” é, no mínimo, desleixo informativo. No máximo, má-fé.
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