Flamengo critica Daronco e VAR após empate polêmico com o Santos: “determinante para o resultado”

O Flamengo contestou publicamente a arbitragem do empate por 2 a 2 com o Santos, disputado na quinta-feira (8), na Vila Belmiro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o clube criticou a atuação do árbitro Anderson Daronco e de Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR, apontando decisões controversas em lances que envolveram Carrascal, Jorginho e Luiz Araújo. A diretoria também questionou a demora de 9 minutos e 56 segundos para a revisão que resultou em pênalti para o Santos e expulsão do volante rubro-negro.
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A manifestação veio depois de uma partida em que o Flamengo abriu vantagem de 2 a 0, mas sofreu o empate com dois gols de Neymar em cobranças de pênalti. Além de reclamar das decisões que favoreceram o adversário, o clube cobrou uniformidade nos critérios disciplinares e questionou a não expulsão de Barreal por uma entrada em Carrascal ainda no primeiro tempo.
Entrada de Barreal em Carrascal gera primeira reclamação
O primeiro lance destacado pelo Flamengo ocorreu ainda na etapa inicial, quando Barreal atingiu Carrascal em uma disputa de bola. Daronco mostrou cartão amarelo ao jogador santista, decisão que provocou reclamações rubro-negras pela intensidade e pelo local do contato. Na avaliação do clube, a entrada configurou jogo brusco grave e deveria ter resultado em expulsão, mas o VAR não recomendou uma revisão.
Após a partida, Leonardo Jardim também questionou a decisão. O treinador afirmou que a entrada merecia cartão vermelho e considerou que houve erros em decisões tomadas contra o Flamengo. A diferença entre as avaliações evidencia que a discussão sobre a arbitragem envolve lances distintos, que precisam ser examinados individualmente, em vez de tratados como um único conjunto de decisões.
Revisão de quase dez minutos termina com pênalti e expulsão de Jorginho
A principal controvérsia ocorreu no segundo tempo, quando o Flamengo ainda vencia por 2 a 0. Em uma jogada de ataque do Santos, Jorginho tocou a bola com a mão na região da linha da área, em lance envolvendo Rony. Daronco marcou inicialmente a infração fora da área e aplicou cartão amarelo ao volante, mas a análise do VAR levou o árbitro a rever a decisão.
Depois de consultar o monitor, Daronco assinalou pênalti e trocou o cartão amarelo pelo vermelho, por entender que Jorginho havia impedido uma clara oportunidade de gol. Neymar cobrou a penalidade e marcou o primeiro gol santista. O procedimento durou 9 minutos e 56 segundos, a maior paralisação para uma revisão do VAR registrada no Campeonato Brasileiro desde a implantação da tecnologia, em 2019.
O Flamengo contestou tanto a decisão final quanto o tempo consumido pela análise. Para o clube, a sequência de mudanças expôs falta de segurança e de coerência na condução do lance, além de produzir consequências esportivas imediatas: a equipe ficou com um jogador a menos e perdeu Jorginho para o compromisso seguinte por suspensão automática.
A demora, por si só, não comprova que a decisão tenha sido incorreta. O episódio, no entanto, colocou novamente em discussão a eficiência do protocolo de revisão e a necessidade de que a arbitragem explique com clareza as mudanças de entendimento em lances decisivos. O volante também criticou a condução do episódio após o jogo, embora tenha reconhecido sua responsabilidade pelo toque na bola.
Segundo pênalti amplia a controvérsia
Pouco depois, outro lance colocou Daronco no centro das reclamações. O árbitro marcou pênalti para o Santos após uma jogada envolvendo Luiz Araújo, e Neymar voltou a converter, estabelecendo o empate por 2 a 2. Na avaliação do Flamengo, a falta que originou a cobrança não existiu, e a decisão representou mais um erro com influência direta no resultado.
A análise de especialistas, contudo, não produziu unanimidade sobre as duas penalidades. Em avaliação publicada pelo UOL, ex-árbitros apresentaram opiniões diferentes a respeito dos lances, enquanto o comentarista de arbitragem PC de Oliveira concordou com a marcação do primeiro pênalti e com a expulsão de Jorginho. O debate sobre a segunda cobrança também envolveu divergências quanto à intensidade do contato.
A sequência teve impacto direto na partida. Depois de construir uma vantagem de dois gols, o Flamengo viu o Santos reagir e buscar o empate, resultado que manteve o Rubro-Negro na liderança do campeonato, mas reduziu para um ponto a distância em relação ao Palmeiras. Com a disputa pelo título apertada, decisões dessa natureza passaram a ter repercussão ainda maior no debate sobre a competição.
Números disciplinares entram na discussão
Em sua manifestação, o Flamengo também recorreu aos números do campeonato para questionar a frequência das punições recebidas. Segundo os dados apresentados pelo clube, após 29 partidas, a equipe somava sete expulsões e ocupava a segunda posição entre os times com mais cartões vermelhos. Ao mesmo tempo, aparecia na 17ª colocação no ranking de faltas cometidas e liderava a média de tempo de bola em jogo.
O Rubro-Negro considera que essa combinação aponta para uma possível falta de proporcionalidade na aplicação das sanções. Os números, isoladamente, não comprovam erros de arbitragem, já que expulsões podem decorrer de situações diferentes, como faltas graves, condutas antidesportivas ou infrações que impedem oportunidades claras de gol. Ainda assim, os dados reforçam a cobrança do clube por critérios consistentes e decisões justificadas de maneira transparente.
A reclamação também ganhou dimensão institucional porque o Flamengo questionou a escala de Daronco e Toski Marques para o clássico entre Palmeiras e Corinthians, previsto para domingo (11). A presença dos mesmos profissionais em uma partida que envolve um concorrente direto na disputa pelo título aumentou a atenção sobre a escolha da arbitragem, embora a escalação, por si só, não constitua evidência de favorecimento a qualquer equipe.
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Flamengo cobra coerência e imparcialidade
A manifestação rubro-negra não se limitou à partida na Vila Belmiro. O clube defendeu que as regras sejam aplicadas com rigor e uniformidade, sem variações de critério conforme o placar ou a pressão exercida pelos jogadores. A crítica central envolve tanto as decisões específicas quanto a confiança no processo de arbitragem, sobretudo em confrontos que podem influenciar a disputa pelo título nacional.
O episódio também expõe a dificuldade de separar o resultado esportivo das controvérsias que surgem durante o jogo. O Flamengo perdeu a vantagem de dois gols, sofreu duas penalidades e terminou a partida com um jogador expulso, enquanto o Santos conquistou um ponto importante diante de sua torcida. Esses fatos ajudam a dimensionar o impacto da arbitragem, mas não eliminam a necessidade de avaliar cada lance de acordo com as regras e as imagens disponíveis.
Ao tornar pública sua posição, o Flamengo reforçou que não reivindica tratamento privilegiado, mas exige decisões coerentes e imparciais. A discussão agora depende de esclarecimentos sobre os lances contestados e da capacidade dos responsáveis pela arbitragem de explicar os critérios utilizados. Em uma reta final de campeonato marcada pelo equilíbrio, a transparência é essencial para que os erros, quando identificados, sejam reconhecidos e corrigidos, preservando a credibilidade da competição.
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