5 de julho de 2022

Hostilidade a jornalistas aumenta e comunicação do Flamengo “censura” mídias independentes em coletiva

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Imagem: Reprodução/ Instagram - Fla Voz

Vivendo uma crise nos bastidores por diversos problemas relacionados ao futebol, o Flamengo tem feito o seu caldeirão ferver. Nas últimas semanas, uma escalada de ataques a jornalistas nos estádios e nas redes sociais vêm aumentado consideravelmente. Com o exemplo dos dirigentes do clube, torcedores também partem para fazer o mesmo. Somando-se a isso, na coletiva de Paulo Sousa, Marcos Braz e Bruno Spindel no último sábado (21), nenhuma mídia independente foi liberada para fazer perguntas.


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No dia 11 de maio, quando o Flamengo terminou o primeiro tempo contra o Altos-PI com o placar em branco, o youtuber e jornalista, Guilherme Pinheiro, fazia um vídeo com análise dos 45 minutos iniciais. No meio de sua fala, sofreu interrupção de Cacau Cotta, que não concordava com a fala do profissional. Em seguida, um convidado que estava no camarote da diretoria, em Volta Redonda, chegou ameaçar invadir o espaço destinado a imprensa.

O clima antes da partida era de protesto. Faixas foram colocadas em frente a sede do clube, na Gávea e também levadas para arquibancada: “O Flamengo é do povo. Landim enganador“, dizia uma delas. Além do futebol, as cobranças se intensificaram por conta da aprovação da emenda que limita a participação do torcedor Off-Rio no quadro associativo do clube. No mesmo dia, o presidente Rodolfo Landim chegou a ir até à cabine da imprensa do Raulino de Oliveira com diversos seguranças.

No dia 14, na partida contra o Ceará, em Fortaleza, o momento ainda era de cobranças e protestos, algo incomum nos jogos fora do estado do Rio. O time de Paulo Sousa saiu do Castelão com um empate em 2 a 2. O gol de Nino Paraíba se deu após uma falha do goleiro Hugo. Três dias depois, quando o Fla iria receber o Universidad Cartólica, no Maracanã, novos ataques. No Twitter, o diretor amador, Cacau Cotta, ofendeu a nossa reportagem nos chamando de palhaço e covarde. As respostas foram a duas informações sobre o presidente Rodolfo Landim e Marcos Braz, vice de futebol.

Reprodução: Twitter

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Mais tarde, no Maracanã, o Flamengo bateu com facilidade o Universidad Católica por 3 a 0. Os protestos foram tímidos e quem mais sofreu com críticas foi o goleiro Hugo, que diante do momento, já havia desativado sua conta no Twitter, logo após o empate contra o Ceará.

Na vitória do Flamengo contra o Goiás, por 1 a 0, neste sábado (21), no Maracanã, um novo ataque foi feito ao jornalista Guilherme Pinheiro. Enquanto fazia uma live sobre o jogo que acabara de terminar, o também youtuber acabou sendo hostilizado por torcedores que deixavam o estádio. O time foi vaiado e novos protestos foram feitos ao presidente e ao vice de futebol.

Minutos depois, na coletiva de imprensa do treinador do Flamengo e dirigentes, o microfone não foi entregue a nenhuma mídia independente para fazer perguntas. Somente profissionais de rádio e TV foram agraciados pela assessoria de comunicação do clube. A ação foi vista como um ato de censura. Segundo foi apurado pela reportagem, o ato é uma retaliação pelas críticas feitas pelos canais que fazem a cobertura diária da agremiação.

A comunicação do clube mudou a ordem das coletivas. Antes, havia uma espécie de “ordem de chegada” dentro de um grupo temporário no WhatsApp. Agora, é a assessoria de comunicação do futebol do clube que escolhe quem pode fazer perguntas.

Imagem: Reprodução/ Instagram – Fla Voz

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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